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Dom. 11 de outubro de 2026

MERCADO LIVRE
Data de publicação: 24/09/2026

Abrir um restaurante envolve decisões já bem conhecidas: definição do conceito, escolha de localização, cardápio, equipe e licenças. Um custo, porém, costuma entrar no orçamento só como item de equipamento e não como linha de gestão contínua: a energia elétrica. Em um negócio com câmaras frias, fogões, exaustores e climatização funcionando por longas horas, esse custo acompanha a operação todos os meses, e merece a mesma atenção dada a aluguel e folha de pagamento.

Plano de negócios: onde a energia entra no orçamento inicial

Um plano de negócios de restaurante costuma detalhar investimento inicial, ponto de equilíbrio e projeção de receita, mas raramente inclui uma projeção específica de consumo de energia. Essa lacuna já tem custo real: segundo reportagem do setor de food service, a tarifa média de energia subiu quase 9% no último ano, e para um restaurante de médio porte essa alta pode representar um custo adicional relevante, que pressiona diretamente a margem de lucro e o preço do prato. Incluir essa projeção desde o plano de negócios, ao lado de outras estratégias de negócios sustentáveis, evita surpresas no fluxo de caixa nos primeiros meses de operação, quando a receita ainda está em fase de consolidação.

Vale também revisar essa projeção com alguma regularidade, especialmente após qualquer ampliação do cardápio que exija novos equipamentos de cozinha ou refrigeração, já que cada adição altera o perfil de consumo previsto inicialmente.

Passo a passo de abertura, do conceito à licença

A sequência de abertura de um restaurante já é bem estabelecida pelo mercado:

  • definir o conceito e o tipo de cozinha, o que já direciona boa parte do investimento em equipamentos;
  • escolher a localização, considerando aluguel, fluxo de clientes e infraestrutura elétrica disponível no imóvel;
  • elaborar o plano de negócios e calcular o investimento inicial, incluindo reforma e equipamentos;
  • registrar a empresa (CNPJ ou MEI, conforme o faturamento projetado);
  • obter alvará da vigilância sanitária e demais licenças municipais exigidas para o funcionamento;
  • contratar e treinar a equipe de cozinha e atendimento.

A esses passos, vale acrescentar um dimensionamento da conta de energia esperada, considerando a potência de equipamentos de cozinha e refrigeração antes mesmo de fechar o contrato de aluguel. Isso também ajuda a negociar, junto ao proprietário do imóvel, se a instalação elétrica existente já comporta a carga necessária ou se será preciso investir em uma adequação antes da abertura.

Custos fixos, variáveis, previsíveis e imprevisíveis de um restaurante

Os custos de energia de um restaurante se dividem nas mesmas quatro categorias já discutidas nesta série:

Categoria Como se manifesta no restaurante Como agir
Fixo Demanda contratada para o pico de câmaras frias, cozinha e climatização Dimensionar corretamente junto à distribuidora
Variável Consumo proporcional ao movimento do salão e horário de funcionamento Ajustar operação a horários de menor demanda quando possível
Previsível Maior uso de climatização no verão Planejamento orçamentário sazonal
Imprevisível Bandeiras tarifárias e reajustes anuais Avaliar alternativas de contratação de energia

Entender essas quatro camadas separadamente ajuda a priorizar onde agir primeiro: o custo fixo se resolve com um bom dimensionamento técnico, enquanto o custo imprevisível só é mitigado mudando a forma como a energia é contratada, não apenas como ela é usada no dia a dia da cozinha.

Refrigeração e cozinha: os maiores consumidores de energia

Câmaras frias, freezers e vitrines refrigeradas costumam operar de forma praticamente ininterrupta em um restaurante, o que os torna a base do consumo fixo do negócio. Reportagens do setor de food service já apontam que pequenas ineficiências nesses equipamentos, como ciclos de degelo mal ajustados ou vedação de portas desgastada, podem elevar o consumo sem que o restaurante perceba a causa exata do aumento na fatura. Fogões, exaustores e fornos, por outro lado, têm picos de potência concentrados nos horários de maior movimento, o que reforça a importância de dimensionar corretamente a demanda contratada para esses períodos, evitando tanto o desperdício de capacidade ociosa quanto o risco de ultrapassagem em horários de pico.

Bandeiras tarifárias e reajustes: o custo que foge ao controle

No ambiente regulado, as bandeiras tarifárias, definidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) conforme as condições de geração do sistema, incidem sobre o consumo de qualquer restaurante do Grupo B, e se somam aos reajustes anuais aplicados pela distribuidora local. Entender como esse cenário de preço se forma ajuda o gestor a diferenciar o que pode ser controlado por eficiência operacional do que depende, na prática, de uma mudança na forma de contratação de energia.

Um horizonte a considerar já no plano de negócios

Ao estruturar o plano financeiro de um novo restaurante, vale ter em mente uma mudança regulatória já confirmada: a partir de 25 de novembro de 2027, restaurantes do Grupo B em baixa tensão poderão migrar para o Mercado Livre de Energia. Restaurantes já conectados em média ou alta tensão podem negociar essas condições com uma comercializadora desde já, inclusive por meio de mecanismos contratuais como o contrato bilateral.

Para quem está planejando abrir um restaurante hoje, considerar essa mudança futura no planejamento de longo prazo é uma forma de já se preparar para uma gestão de energia mais previsível assim que a migração estiver disponível para o seu enquadramento. Isso vale tanto para quem está estruturando o plano de negócios agora quanto para restaurantes já em operação que ainda não avaliaram essa alternativa.

Planejamento energético como parte da estratégia do negócio

Apoiada em mais de 20 anos de atuação da EDP no Brasil, a Soluções EDP atua na comercialização de energia no Mercado Livre. Para visualizar como essa migração pode se traduzir em economia real para o seu negócio, use o simulador de economia e projete cenários com base no perfil de consumo da sua operação.

Perguntas frequentes sobre com o abrir um restaurante

Vale a pena incluir uma projeção de consumo de energia no plano de negócios do restaurante?

Sim. Energia é um custo recorrente e ligado diretamente ao tipo de equipamento escolhido, especialmente de refrigeração, então incluir essa estimativa desde o início evita surpresas no fluxo de caixa.

Quais equipamentos de um restaurante mais pesam na conta de energia?

Câmaras frias, freezers e vitrines refrigeradas costumam ter o maior peso, por operarem de forma contínua. Fogões e exaustores geram picos de potência concentrados nos horários de maior movimento.

Um restaurante pequeno já pode migrar para o Mercado Livre de Energia?

Depende da tensão de conexão, não do tamanho do salão. Restaurantes em média ou alta tensão (Grupo A) já podem migrar hoje; os em baixa tensão (Grupo B) poderão fazer isso a partir de novembro de 2027.

Manutenção preventiva de câmaras frias realmente reduz o consumo de energia?

Sim. Ciclos de degelo mal ajustados e vedação de portas desgastada são causas comuns de consumo excessivo nesses equipamentos, muitas vezes sem que o gestor identifique a origem do aumento na fatura.

Como calcular a demanda contratada ideal para a cozinha de um restaurante?

O ponto de partida é somar a potência dos equipamentos que costumam funcionar ao mesmo tempo nos horários de maior movimento, como fogões, exaustores e câmaras frias, e comparar esse valor com o histórico de consumo registrado nas faturas anteriores, quando o restaurante já estiver em operação.

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Tomás Baldaque da Silva

Este conteúdo foi produzido por Tomás Baldaque da Silva.

Tomás Baldaque da Silva é Vice-presidente da EDP e membro do time de gestão da EDP South America, com carreira em estratégia, vendas e marketing B2B e B2C nos setores de energia e serviços. É graduado em Economia e tem MBA pela IE Business School, além de formação executiva em liderança (IMD). Atua conectando visão de mercado, posicionamento e crescimento de negócios em diferentes geografias. Tomás escreve sobre liberalização do mercado, estratégia setorial e a evolução do Mercado Livre de Energia no Brasil.


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