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Administrar uma academia bem já significa, para a maioria dos gestores, controlar mensalidades, inadimplência e fluxo de caixa. Um indicador, porém, raramente entra nessa conta com o mesmo rigor: o consumo de energia. Em um negócio de margem apertada, cada custo mal gerido pesa proporcionalmente mais no resultado final, e energia é um dos poucos custos verdadeiramente recorrentes e controláveis ao longo da operação, tanto quanto aluguel e folha de pagamento.
O ponto de equilíbrio de uma academia é o número mínimo de alunos pagantes necessário para cobrir todos os custos fixos do mês, independentemente de quantas pessoas efetivamente treinam. A demanda contratada de energia entra diretamente nessa conta: ela precisa ser dimensionada para o funcionamento simultâneo de climatização, iluminação e equipamentos em horários de pico, e continua sendo cobrada mesmo em dias de menor movimento. Segundo dados da IHRSA (International Health, Racquet & Sportsclub Association), a margem de lucro média de academias no Brasil fica entre 10% e 20%, o que torna qualquer custo fixo mal dimensionado um risco real para a saúde financeira do negócio.
Assim como o gestor já acompanha indicadores como custo de aquisição de aluno e ticket médio, faz sentido tratar o custo de energia por aluno ativo como mais um número a monitorar mensalmente. Esse indicador ajuda a identificar se o crescimento da base de alunos está sendo acompanhado por um aumento proporcional no consumo, ou se há ineficiência acumulada em algum ponto da operação.
Aplicando a mesma lógica financeira já usada para calcular ponto de equilíbrio, o consumo de energia de uma academia se divide em quatro camadas:
| Categoria | Como se manifesta na academia | Como agir |
|---|---|---|
| Fixo | Demanda contratada para climatização, iluminação e equipamentos em horário de pico | Revisar dimensionamento junto à distribuidora |
| Variável | Consumo proporcional ao número de alunos e uso de vestiários | Monitorar consumo por aluno ativo |
| Previsível | Maior uso de climatização no verão | Planejamento orçamentário sazonal |
| Imprevisível | Bandeiras tarifárias e reajustes anuais | Avaliar alternativas de contratação de energia |
O custo fixo está na demanda contratada, que não varia com o número de alunos do dia. O custo variável acompanha o movimento real do espaço, crescendo com a quantidade de equipamentos em uso e o volume de banhos nos vestiários. O custo previsível aparece na sazonalidade, com mais climatização no verão e mais aquecimento de água no inverno. Já o custo imprevisível está nas bandeiras tarifárias e reajustes, que incidem sobre o consumo independentemente de qualquer esforço de gestão.
Monitorar consumo de energia com a mesma disciplina usada para acompanhar mensalidades e inadimplência é o que diferencia uma gestão reativa de uma gestão ativa. Alguns pontos valem acompanhamento mensal:
Esse tipo de rotina não exige um sistema de gestão dedicado exclusivamente a energia: pode ser incorporado à mesma planilha ou software já usado para acompanhar indicadores financeiros da academia, desde que alguém seja responsável por revisar os números com regularidade.
Em um negócio com margem entre 10% e 20%, segundo a IHRSA, previsibilidade de custo tem valor financeiro direto: um orçamento anual mais confiável reduz a necessidade de reserva de caixa para absorver reajustes inesperados, liberando capital para investimento em equipamentos ou expansão. É esse mesmo princípio que orienta produtos como o Preço Garantido, pensado para travar o custo de energia da empresa e eliminar a variável mais imprevisível do orçamento.
Previsibilidade de custo não elimina a necessidade de eficiência operacional, as duas frentes se complementam. Uma academia pode reduzir consumo por meio de manutenção e hábitos de uso, e ao mesmo tempo buscar previsibilidade de preço na forma como contrata a energia, sem que uma ação substitua a outra.
Aplicar disciplina financeira ao consumo de energia hoje prepara o terreno para uma decisão maior já com data marcada: a partir de 25 de novembro de 2027, academias conectadas em baixa tensão (Grupo B) deixam de depender exclusivamente da distribuidora local e passam a negociar diretamente as condições de fornecimento no Mercado Livre de Energia, essa mudança representa uma nova alavanca de gestão, não apenas mais uma conta a pagar.
Entender como esse cenário de preço se forma no ambiente regulado ajuda o gestor a comparar, com mais clareza, o que muda ao migrar para o ambiente livre, especialmente em relação à exposição a bandeiras tarifárias e reajustes anuais que hoje fogem ao controle direto da administração.
Apoiada em mais de 20 anos de atuação da EDP no Brasil, a Soluções EDP atua na comercialização de energia no Mercado Livre. Para visualizar como essa migração pode se traduzir em economia real para o seu negócio, use o simulador de economia e projete cenários com base no perfil de consumo da sua operação.
Sim. Como é um custo recorrente e proporcionalmente relevante em um negócio de margem apertada, acompanhar sua variação mês a mês ajuda a identificar ineficiências antes que elas afetem o resultado financeiro.
Vale comparar a demanda contratada com os picos reais registrados na fatura, especialmente nos horários de maior movimento de alunos. Se o valor medido fica sempre bem abaixo do contratado, pode haver espaço para revisão.
Sim, principalmente pela previsibilidade de custo, que facilita o planejamento financeiro em um negócio já sujeito a sazonalidade e margem reduzida.
Academias em média ou alta tensão (Grupo A) já podem negociar condições de previsibilidade hoje. As em baixa tensão (Grupo B) terão essa opção a partir da abertura do Mercado Livre, em novembro de 2027.
Sim. Assim como custo de aquisição e ticket médio já fazem parte da rotina de gestão, o custo de energia por aluno ajuda a identificar se o consumo está crescendo de forma proporcional à base de alunos ou se há ineficiência acumulada na operação.
Stella Maris Moreira Fuão é Diretora Comercial na EDP South America, com trajetória executiva no setor elétrico em posições de liderança.
Ao longo da carreira, atuou em áreas comercial e administrativa-financeira, além de gestão de projetos e operações de ativos de geração, transmissão e projetos solares.É bacharel em Direito pela AEUDF e possui MBA em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
Complementa a formação com curso de conselheira (Fundação Dom Cabral), programas executivos em gestão e participação no programa Women on Boards (Nova SBE), em Portugal.Stella escreve sobre Mercado Livre de Energia, com foco no modelo varejista e na evolução regulatória do setor.
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