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Dom. 25 de outubro de 2026

MERCADO LIVRE
Data de publicação: 22/09/2026

Administrar uma academia bem já significa, para a maioria dos gestores, controlar mensalidades, inadimplência e fluxo de caixa. Um indicador, porém, raramente entra nessa conta com o mesmo rigor: o consumo de energia. Em um negócio de margem apertada, cada custo mal gerido pesa proporcionalmente mais no resultado final, e energia é um dos poucos custos verdadeiramente recorrentes e controláveis ao longo da operação, tanto quanto aluguel e folha de pagamento.

Ponto de equilíbrio e o peso da energia nos custos fixos

O ponto de equilíbrio de uma academia é o número mínimo de alunos pagantes necessário para cobrir todos os custos fixos do mês, independentemente de quantas pessoas efetivamente treinam. A demanda contratada de energia entra diretamente nessa conta: ela precisa ser dimensionada para o funcionamento simultâneo de climatização, iluminação e equipamentos em horários de pico, e continua sendo cobrada mesmo em dias de menor movimento. Segundo dados da IHRSA (International Health, Racquet & Sportsclub Association), a margem de lucro média de academias no Brasil fica entre 10% e 20%, o que torna qualquer custo fixo mal dimensionado um risco real para a saúde financeira do negócio.

Assim como o gestor já acompanha indicadores como custo de aquisição de aluno e ticket médio, faz sentido tratar o custo de energia por aluno ativo como mais um número a monitorar mensalmente. Esse indicador ajuda a identificar se o crescimento da base de alunos está sendo acompanhado por um aumento proporcional no consumo, ou se há ineficiência acumulada em algum ponto da operação.

Custo fixo, variável, previsível e imprevisível: aplicando à energia da academia

Aplicando a mesma lógica financeira já usada para calcular ponto de equilíbrio, o consumo de energia de uma academia se divide em quatro camadas:

Categoria Como se manifesta na academia Como agir
Fixo Demanda contratada para climatização, iluminação e equipamentos em horário de pico Revisar dimensionamento junto à distribuidora
Variável Consumo proporcional ao número de alunos e uso de vestiários Monitorar consumo por aluno ativo
Previsível Maior uso de climatização no verão Planejamento orçamentário sazonal
Imprevisível Bandeiras tarifárias e reajustes anuais Avaliar alternativas de contratação de energia

O custo fixo está na demanda contratada, que não varia com o número de alunos do dia. O custo variável acompanha o movimento real do espaço, crescendo com a quantidade de equipamentos em uso e o volume de banhos nos vestiários. O custo previsível aparece na sazonalidade, com mais climatização no verão e mais aquecimento de água no inverno. Já o custo imprevisível está nas bandeiras tarifárias e reajustes, que incidem sobre o consumo independentemente de qualquer esforço de gestão.

Como monitorar e reduzir o consumo no dia a dia da operação

Monitorar consumo de energia com a mesma disciplina usada para acompanhar mensalidades e inadimplência é o que diferencia uma gestão reativa de uma gestão ativa. Alguns pontos valem acompanhamento mensal:

  • comparar o consumo atual com o histórico dos últimos 12 meses, ajustado pela sazonalidade;
  • identificar horários de pico de uso simultâneo de equipamentos, climatização e chuveiros;
  • verificar aumentos que não correspondem a um crescimento real na base de alunos, sinal de possível ineficiência em algum equipamento específico;
  • revisar contratos de manutenção de equipamentos de climatização e refrigeração, já que peças desgastadas costumam elevar o consumo antes de qualquer defeito visível;
  • comparar o custo de energia por aluno ativo mês a mês, tratando esse número como um indicador de gestão, não apenas como uma linha da conta de luz.

Esse tipo de rotina não exige um sistema de gestão dedicado exclusivamente a energia: pode ser incorporado à mesma planilha ou software já usado para acompanhar indicadores financeiros da academia, desde que alguém seja responsável por revisar os números com regularidade.

Margem apertada, custo previsível: por que previsibilidade importa

Em um negócio com margem entre 10% e 20%, segundo a IHRSA, previsibilidade de custo tem valor financeiro direto: um orçamento anual mais confiável reduz a necessidade de reserva de caixa para absorver reajustes inesperados, liberando capital para investimento em equipamentos ou expansão. É esse mesmo princípio que orienta produtos como o Preço Garantido, pensado para travar o custo de energia da empresa e eliminar a variável mais imprevisível do orçamento.

Previsibilidade de custo não elimina a necessidade de eficiência operacional, as duas frentes se complementam. Uma academia pode reduzir consumo por meio de manutenção e hábitos de uso, e ao mesmo tempo buscar previsibilidade de preço na forma como contrata a energia, sem que uma ação substitua a outra.

Da gestão diária à contratação de energia: o que muda em 2027

Aplicar disciplina financeira ao consumo de energia hoje prepara o terreno para uma decisão maior já com data marcada: a partir de 25 de novembro de 2027, academias conectadas em baixa tensão (Grupo B) deixam de depender exclusivamente da distribuidora local e passam a negociar diretamente as condições de fornecimento no Mercado Livre de Energia, essa mudança representa uma nova alavanca de gestão, não apenas mais uma conta a pagar.

Entender como esse cenário de preço se forma no ambiente regulado ajuda o gestor a comparar, com mais clareza, o que muda ao migrar para o ambiente livre, especialmente em relação à exposição a bandeiras tarifárias e reajustes anuais que hoje fogem ao controle direto da administração.

Energia como parte da gestão financeira da academia

Apoiada em mais de 20 anos de atuação da EDP no Brasil, a Soluções EDP atua na comercialização de energia no Mercado Livre. Para visualizar como essa migração pode se traduzir em economia real para o seu negócio, use o simulador de economia e projete cenários com base no perfil de consumo da sua operação.

Perguntas frequentes sobre como administrar uma academia

Vale a pena tratar a conta de energia como um indicador de gestão da academia?

Sim. Como é um custo recorrente e proporcionalmente relevante em um negócio de margem apertada, acompanhar sua variação mês a mês ajuda a identificar ineficiências antes que elas afetem o resultado financeiro.

Como saber se a demanda contratada da academia está bem dimensionada?

Vale comparar a demanda contratada com os picos reais registrados na fatura, especialmente nos horários de maior movimento de alunos. Se o valor medido fica sempre bem abaixo do contratado, pode haver espaço para revisão.

Uma academia pequena, com margem apertada, se beneficia da migração para o Mercado Livre?

Sim, principalmente pela previsibilidade de custo, que facilita o planejamento financeiro em um negócio já sujeito a sazonalidade e margem reduzida.

Toda academia do Grupo B pode contar com previsibilidade de preço antes de 2027?

Academias em média ou alta tensão (Grupo A) já podem negociar condições de previsibilidade hoje. As em baixa tensão (Grupo B) terão essa opção a partir da abertura do Mercado Livre, em novembro de 2027.

Faz sentido incluir o custo de energia por aluno ativo entre os indicadores financeiros já acompanhados pela academia?

Sim. Assim como custo de aquisição e ticket médio já fazem parte da rotina de gestão, o custo de energia por aluno ajuda a identificar se o consumo está crescendo de forma proporcional à base de alunos ou se há ineficiência acumulada na operação.

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Stella Maris Moreira Fuão

Este conteúdo foi produzido por Stella Maris Moreira Fuão.

Stella Maris Moreira Fuão é Diretora Comercial na EDP South America, com trajetória executiva no setor elétrico em posições de liderança.

Ao longo da carreira, atuou em áreas comercial e administrativa-financeira, além de gestão de projetos e operações de ativos de geração, transmissão e projetos solares.É bacharel em Direito pela AEUDF e possui MBA em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Complementa a formação com curso de conselheira (Fundação Dom Cabral), programas executivos em gestão e participação no programa Women on Boards (Nova SBE), em  Portugal.Stella escreve sobre Mercado Livre de Energia, com foco no modelo varejista e na evolução regulatória do setor.

 

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