Quer até 35% de desconto na tarifa de energia? Deixa eu te contar como.
Para um comércio de pequeno ou médio porte, a conta de energia costuma ser tratada como um valor que simplesmente chega todo mês, sem muita margem de gestão. Essa visão está mudando. Tratar energia como um custo administrável, com categorias distintas e decisões específicas para cada uma, é o que separa uma operação que apenas paga a conta de uma que a gerencia ativamente, e essa diferença tende a pesar ainda mais com as mudanças regulatórias que já estão no horizonte do setor.
A gestão de energia no comércio começa por separar quatro tipos de custo, cada um exigindo uma resposta de gestão diferente:
| Categoria | O que inclui | Como agir |
|---|---|---|
| Fixo | Demanda contratada, taxas de disponibilidade | Revisar dimensionamento junto à distribuidora |
| Variável | Consumo em kWh, proporcional ao uso | Eficiência operacional e manutenção de equipamentos |
| Previsível | Sazonalidade (verão, alta temporada) | Planejamento orçamentário antecipado |
| Imprevisível | Bandeiras tarifárias, reajustes | Avaliar alternativas de contratação |
Reduzir o custo fixo costuma exigir uma decisão estrutural, como ajustar a demanda contratada ao uso real da operação. Já o custo imprevisível, por depender de fatores externos ao comércio, tende a ser mitigado não pela eficiência operacional, mas pela forma como a energia é contratada, o que aponta diretamente para a discussão sobre mercado regulado e livre mais adiante neste artigo.
Comércios com duas entradas de energia separadas, como uma loja com depósito anexo ou um espaço com área comercial e administrativa distintas, costumam analisar cada padrão isoladamente, o que dificulta enxergar o consumo real da operação como um todo. Consolidar as duas faturas em uma única análise de consumo, mês a mês, é o primeiro passo antes de qualquer decisão, seja de eficiência, seja de migração de contratação.
Alguns pontos merecem atenção nesse tipo de estrutura:
Em muitos casos, um dos dois padrões concentra a maior parte do gasto, e é nele que vale priorizar ações como manutenção de equipamentos e revisão de horários de funcionamento antes de expandir o esforço para o restante da operação. Conhecer os diferentes produtos de energia para empresas disponíveis hoje ajuda a entender qual solução se aplica melhor a cada padrão de ligação.
Comércios com forte dependência de refrigeração, como distribuidoras e adegas de bebidas, têm um perfil de consumo bem diferente do comércio médio: freezers e câmaras frias costumam operar 24 horas por dia, e pequenas ineficiências nesses equipamentos se acumulam rapidamente na fatura mensal. Algumas medidas de baixo custo têm impacto direto nesse tipo de operação:
Essas ações são complementares a qualquer estratégia de contratação de energia mais ampla, como as reunidas em um guia sobre como economizar energia elétrica nas empresas.
No ambiente regulado, as bandeiras tarifárias, definidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) conforme as condições de geração do sistema, são a principal fonte de imprevisibilidade na conta de energia de um comércio. Elas podem elevar o valor da fatura em um mês específico sem que o consumo do estabelecimento tenha mudado, o que torna o planejamento financeiro mais difícil, especialmente para negócios com margem apertada.
Esse cenário está prestes a mudar para quem hoje está no Grupo B. A Lei nº 15.269/2025, regulamentada pelo Decreto nº 13.097, estabelece que consumidores comerciais e industriais conectados em baixa tensão poderão migrar para o Ambiente de Contratação Livre a partir de 25 de novembro de 2027, deixando de depender exclusivamente da distribuidora local para a compra de energia.
O movimento já começou antes mesmo da abertura total: segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o comércio foi o setor que mais migrou para o Mercado Livre em 2025, à frente até da indústria, com 4.098 novas unidades consumidoras no ano. A partir de 25 de novembro de 2027, esse caminho deixa de ser restrito a quem já está em média ou alta tensão: comércios em baixa tensão (Grupo B) também poderão negociar diretamente com uma comercializadora, deixando de depender só da tarifa da distribuidora local.
Para o pequeno e médio comércio, entender hoje a lógica de gestão de custos de energia é o que vai permitir aproveitar essa abertura com mais preparo quando ela chegar. Isso inclui já ter um histórico organizado de consumo, saber identificar os quatro tipos de custo descritos neste artigo, e acompanhar como as regras de elegibilidade evoluem entre 2026 e 2027. Conhecer desde já o funcionamento do Mercado Livre de Energia é um bom ponto de partida para esse planejamento, ainda que a migração efetiva de baixa tensão só comece em 2027.
Apoiada em mais de 20 anos de atuação da EDP no Brasil, a Soluções EDP atua na comercialização de energia no Mercado Livre. Para visualizar como essa migração pode se traduzir em economia real para o seu comércio, use o simulador de economia e projete cenários com base no perfil de consumo do seu negócio.
Depende da tensão de conexão. Empresas já conectadas em média ou alta tensão (Grupo A) já podem migrar. Comércios em baixa tensão (Grupo B) poderão fazer isso a partir de novembro de 2027.
Sim. Mapear consumo, identificar padrões de custo fixo e variável, e corrigir ineficiências operacionais coloca o comércio em posição melhor para avaliar a migração assim que ela estiver disponível.
Isso depende de como cada unidade consumidora está cadastrada junto à distribuidora. Em geral, cada padrão de ligação é tratado como uma unidade consumidora distinta, o que pode exigir uma análise e contratação separadas.
O perfil de consumo constante, puxado pela refrigeração, tende a facilitar a previsão de demanda quando a contratação no ambiente livre estiver disponível, o que pode simplificar a negociação de condições de fornecimento mais adequadas ao perfil do negócio.
Stella Maris Moreira Fuão é Diretora Comercial na EDP South America, com trajetória executiva no setor elétrico em posições de liderança.
Ao longo da carreira, atuou em áreas comercial e administrativa-financeira, além de gestão de projetos e operações de ativos de geração, transmissão e projetos solares.É bacharel em Direito pela AEUDF e possui MBA em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
Complementa a formação com curso de conselheira (Fundação Dom Cabral), programas executivos em gestão e participação no programa Women on Boards (Nova SBE), em Portugal.Stella escreve sobre Mercado Livre de Energia, com foco no modelo varejista e na evolução regulatória do setor.
Conecte-se com Stella Maris.