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Sex. 23 de outubro de 2026

MERCADO LIVRE
Data de publicação: 24/09/2026

A copa de qualquer empresa, por menor que seja, costuma ter geladeira, micro-ondas, cafeteira e bebedouro funcionando o dia inteiro, usados por muitas pessoas em sequência. Diferente do uso residencial, mais pontual e individual, esse padrão de uso coletivo e contínuo tem um peso real na conta de energia que costuma passar despercebido na gestão financeira do negócio.

Por que os eletrodomésticos pesam tanto na conta de energia da empresa

Eletrodomésticos como geladeira e bebedouro consomem energia de forma contínua, 24 horas por dia, independentemente do uso ativo, o que os torna uma base de consumo fixo mesmo fora do horário comercial. Cafeteiras e micro-ondas, por outro lado, têm picos de potência concentrados em horários específicos, como o início da manhã e o horário de almoço, quando o uso simultâneo por várias pessoas se soma.

Um ponto pouco discutido é o consumo em modo stand-by: aparelhos aparentemente desligados, mas ainda conectados à tomada, continuam consumindo energia em pequenas quantidades, e esse efeito se multiplica quando há vários equipamentos nessa condição ao longo do dia em um ambiente comercial. Impressoras, roteadores e carregadores deixados na tomada durante a noite inteira são exemplos comuns desse tipo de consumo, que raramente aparece de forma isolada em uma fatura de energia, mas que se soma mês após mês.

Custos fixos, variáveis, previsíveis e imprevisíveis no consumo de eletrodomésticos

Assim como os demais temas já tratados nesta série, o consumo de eletrodomésticos se encaixa nas quatro categorias de custo que toda empresa do Grupo B precisa administrar. O custo fixo aparece no consumo contínuo de geladeiras e bebedouros, que operam independentemente do movimento da empresa naquele dia. O custo variável acompanha o uso pontual de micro-ondas e cafeteiras, crescendo conforme o número de pessoas na equipe. Já o custo previsível se manifesta no padrão de uso concentrado em horários de pico, como o início da manhã e o horário de almoço, algo que pode ser antecipado no planejamento do consumo. Por fim, o custo imprevisível está nas bandeiras tarifárias, que incidem sobre esse consumo independentemente da eficiência dos equipamentos instalados.

Entender essas quatro camadas separadamente ajuda a priorizar onde agir primeiro: reduzir o custo fixo exige rever a necessidade e o dimensionamento dos equipamentos, enquanto o custo imprevisível só é mitigado mudando a forma como a energia é contratada, não apenas como ela é usada.

Medidas práticas para reduzir o consumo na copa

Algumas medidas práticas têm impacto direto na copa e em ambientes comuns:

  • manter a borracha de vedação da geladeira em bom estado, evitando que o motor trabalhe mais para compensar perda de temperatura;
  • posicionar geladeiras e freezers longe de fontes de calor, como janelas ensolaradas ou equipamentos que esquentam o ambiente;
  • desligar cafeteiras e outros aparelhos da tomada fora do horário de uso, em vez de deixá-los em stand-by durante toda a noite;
  • descongelar freezers regularmente, já que o acúmulo de gelo aumenta o esforço do compressor;
  • concentrar o uso de aparelhos de maior potência (micro-ondas, torradeiras) em horários específicos, evitando picos simultâneos de demanda;
  • revisar periodicamente quantos equipamentos realmente permanecem ligados fora do expediente, especialmente em empresas com múltiplos andares ou unidades.

Nenhuma dessas medidas exige investimento relevante, o que as torna um bom ponto de partida antes de considerar a troca de equipamentos ou uma mudança maior na forma de contratação de energia.

Selo Procel e etiquetagem: escolhendo equipamentos mais eficientes

Na hora de substituir um equipamento da copa, a etiqueta do Inmetro é a referência mais confiável de consumo. Segundo o próprio Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), a escolha de produtos com melhor classificação no Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), combinada a hábitos simples de uso, pode reduzir em até 40% o impacto do consumo de eletrodomésticos na conta de energia. Para uma empresa que troca equipamentos de copa com alguma regularidade, considerar essa etiqueta no momento da compra reduz o consumo fixo de longo prazo sem exigir nenhuma mudança de comportamento da equipe.

Produtos com a classificação mais alta do PBE costumam ter um custo de aquisição um pouco maior, mas essa diferença tende a se pagar ao longo da vida útil do equipamento, especialmente em itens de uso contínuo como geladeiras, que ficam ligadas o tempo todo.

Bandeiras tarifárias e o impacto no Grupo B

No ambiente regulado, as bandeiras tarifárias, definidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) conforme as condições de geração do sistema, incidem sobre todo o consumo da empresa, incluindo o volume gerado por eletrodomésticos de uso contínuo. Isso significa que, mesmo com equipamentos eficientes e hábitos de uso bem ajustados, a empresa continua exposta a reajustes que fogem ao seu controle direto, especialmente em períodos de maior acionamento de usinas termelétricas.

Mercado Livre: a alternativa a partir de novembro de 2027

Esse cenário muda para empresas do Grupo B a partir de 25 de novembro de 2027, quando consumidores comerciais e industriais em baixa tensão poderão migrar para o Ambiente de Contratação Livre. Empresas de médio e grande porte já conectadas em média ou alta tensão vivem essa realidade há mais tempo, negociando diretamente as condições de fornecimento com uma comercializadora varejista.

Para empresas que já organizam seu consumo de eletrodomésticos hoje, essa mudança representa a oportunidade de transformar um custo até então apenas suportado em uma variável negociável, com condições contratuais mais alinhadas ao perfil real de uso da operação.

Apoiada em mais de 20 anos de atuação da EDP no Brasil, a Soluções EDP atua na comercialização de energia no Mercado Livre. Para visualizar como essa migração pode se traduzir em economia real para o seu negócio, use o simulador de economia e projete cenários com base no perfil de consumo da sua operação.

Perguntas frequentes sobre como economizar energia com eletrodomésticos

Vale a pena trocar os eletrodomésticos da copa antes de migrar para o Mercado Livre?

As duas ações são complementares. Trocar por equipamentos mais eficientes reduz o consumo de base, enquanto a migração de contratação atua sobre o preço pago por esse consumo. Juntas, o efeito é maior do que isoladamente.

Desligar a geladeira da copa à noite é uma boa prática?

Não é recomendado. Ligar e desligar geladeiras com frequência pode reduzir sua vida útil e não gera economia relevante, já que o equipamento naturalmente entra em ciclos de descanso do compressor.

Uma empresa pequena com poucos eletrodomésticos já pode migrar para o Mercado Livre?

Depende da tensão de conexão, não do número de equipamentos. Empresas em média ou alta tensão (Grupo A) já podem migrar hoje; as em baixa tensão (Grupo B) poderão fazer isso a partir de novembro de 2027.

Vale a pena investir em tomadas inteligentes para controlar o consumo da copa?

Pode ajudar, principalmente em ambientes com muitos equipamentos pequenos, como carregadores e cafeteiras. O retorno tende a ser maior em empresas com grande número de pontos de energia do que em copas pequenas com poucos aparelhos.

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Stella Maris Moreira Fuão

Este conteúdo foi produzido por Stella Maris Moreira Fuão.

Stella Maris Moreira Fuão é Diretora Comercial na EDP South America, com trajetória executiva no setor elétrico em posições de liderança.

Ao longo da carreira, atuou em áreas comercial e administrativa-financeira, além de gestão de projetos e operações de ativos de geração, transmissão e projetos solares.É bacharel em Direito pela AEUDF e possui MBA em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Complementa a formação com curso de conselheira (Fundação Dom Cabral), programas executivos em gestão e participação no programa Women on Boards (Nova SBE), em  Portugal.Stella escreve sobre Mercado Livre de Energia, com foco no modelo varejista e na evolução regulatória do setor.

 

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