A energia geotérmica é a matriz elétrica e térmica obtida por meio da captação do calor proveniente do interior do planeta Terra. Compreender a variedade de fontes disponíveis na matriz global é uma exigência para gestores que buscam eficiência operacional, pois cada modelo de geração influencia a disponibilidade e os custos da eletricidade distribuída ao mercado.
Embora o Brasil possua uma base de abastecimento fundamentada em rios e ventos, conhecer matrizes de geração contínua, como a geotérmica, auxilia no entendimento de como a inovação altera a gestão de orçamento das indústrias no longo prazo.
Neste artigo, explicamos a engenharia por trás do uso do calor terrestre, os limites operacionais dessa fonte e o cenário de implementação no país.
No subsolo terrestre, áreas com intensa atividade vulcânica ou falhas tectônicas concentram altas temperaturas. A energia geotérmica capta esse calor natural e o converte em eletricidade por meio de usinas instaladas diretamente sobre os reservatórios subterrâneos.
O processo de transformação do calor em eletricidade segue um rito técnico:
Perfuração: Poços profundos (que chegam a quilômetros de extensão) são escavados para acessar os reservatórios de vapor ou água quente pressurizada.
Extração: A pressão natural conduz o vapor ou a água em alta temperatura até a superfície.
Geração: Na usina, o vapor aciona diretamente turbinas conectadas a geradores, convertendo a energia mecânica em elétrica.
Rejeição: O vapor resfriado volta ao estado líquido e é reinjetado no reservatório subterrâneo para reaquecer, mantendo a estabilidade do sistema.
Toda fonte de geração possui características que afetam a viabilidade econômica do projeto. No caso da exploração do calor terrestre, o setor avalia critérios específicos.
O principal diferencial é a disponibilidade. Diferente das fontes eólicas ou solares, que dependem de variáveis climáticas diárias, a geotermia atua como uma fonte ininterrupta de carga base, operando 24 horas por dia. Além disso, as usinas requerem menor extensão de terras para instalação quando comparadas aos complexos hidrelétricos. É uma matriz limpa, com baixíssima emissão de carbono durante a rotina operacional.
As restrições envolvem a geologia e a estrutura de capital (CAPEX). A viabilidade restringe-se a regiões geográficas específicas, geralmente próximas às bordas de placas tectônicas. A etapa de exploração e perfuração possui custos elevados e demanda equipamentos pesados, o que torna o planejamento financeiro rigoroso. Existe também o risco de liberação de gases sulfídricos retidos no subsolo durante as escavações.
As restrições de localização impulsionaram a criação dos Sistemas Geotérmicos Estimulados (EGS, na sigla em inglês), também conhecidos como energia geotérmica avançada.
Nessa tecnologia, a engenharia não depende de reservatórios naturais de água quente. O modelo perfura camadas de rochas quentes e secas, injetando água em alta pressão para fraturar o subsolo e criar um reservatório artificial. A água aquece em contato com a rocha e retorna à superfície para girar as turbinas. Essa inovação tecnológica visa expandir o uso da matriz para áreas sem atividade vulcânica, alterando a infraestrutura global.
Os Estados Unidos lideram a produção dessa matriz, concentrando a maioria das operações na região oeste, em estados como Califórnia e Nevada, onde a atividade geológica é favorável. O país concentra mais de 3.900 MW de capacidade instalada de exploração do calor terrestre.
Nações como Indonésia, Filipinas, Islândia e Nova Zelândia também figuram entre os principais produtores, utilizando a atividade vulcânica de seus territórios para garantir o abastecimento de suas redes.
No Brasil, o uso dessa matriz para a geração de eletricidade é técnica e financeiramente inviável no cenário atual. O país está localizado no centro da Placa Tectônica Sul-Americana, longe das áreas de falhas geológicas. Para acessar o calor necessário para movimentar turbinas industriais no Brasil, as escavações precisariam atingir profundidades extremas, tornando os custos de perfuração insustentáveis.
O uso do calor terrestre no país limita-se ao aquecimento direto (uso balneário e turismo), em cidades com fontes termais em Goiás, Santa Catarina e Minas Gerais. A base do abastecimento nacional concentra-se em fontes renováveis de alta viabilidade como a hidrelétrica, a eólica e a solar.
Compreender o cenário global evidencia que a gestão energética se apoia na diversificação. Depender de uma única matriz, ou de um ambiente rígido de contratação, deixa o orçamento das empresas vulnerável.
Enquanto a inovação trabalha para integrar fontes contínuas à rede mundial, indústrias buscam mecanismos de proteção de caixa no presente. Migrar para o Mercado Livre de Energia é o modelo aplicável para empresas do Grupo A (alta e média tensão) diversificarem seu formato de aquisição.
No Ambiente de Contratação Livre (ACL), o gestor negocia tarifas, volumes e prazos diretamente com as comercializadoras. Isso desvincula a corporação das bandeiras tarifárias, definidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), garantindo previsibilidade orçamentária para a rotina de produção.
Avaliar as opções de fornecimento modifica o balanço financeiro no fim do mês. A Soluções EDP apoia companhias na avaliação e na transição para o Mercado Livre de Energia. Nós estruturamos as análises do seu perfil de consumo e gerenciamos os trâmites administrativos, focando no desempenho das finanças corporativas.
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Stella Maris Moreira Fuão é Diretora Comercial na EDP South America, com trajetória executiva no setor elétrico em posições de liderança.
Ao longo da carreira, atuou em áreas comercial e administrativa-financeira, além de gestão de projetos e operações de ativos de geração, transmissão e projetos solares.É bacharel em Direito pela AEUDF e possui MBA em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
Complementa a formação com curso de conselheira (Fundação Dom Cabral), programas executivos em gestão e participação no programa Women on Boards (Nova SBE), em Portugal.Stella escreve sobre Mercado Livre de Energia, com foco no modelo varejista e na evolução regulatória do setor.
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