Ver a fatura de eletricidade disparar no final do mês é uma frustração frequente para quem gerencia a operação de uma empresa. Esse salto nos custos, muitas vezes concentrado em horários críticos do dia, compromete o caixa e exige ações rápidas da liderança.
Realizar a gestão de picos de demanda de energia deixou de ser apenas um ajuste nos quadros de distribuição de máquinas da fábrica e assumiu o papel de uma decisão de inteligência financeira. Neste artigo, nós, da Soluções EDP, mostramos como equilibrar o funcionamento da sua planta, evitar multas por ultrapassagem e proteger o orçamento da sua organização.
No setor elétrico, existe uma diferença técnica fundamental entre consumo e demanda, e compreender essa separação ajuda a entender a fatura. O consumo é o volume total de eletricidade utilizado ao longo de um mês, medido em quilowatts-hora (kWh). Já a demanda é a potência exigida instantaneamente pelos equipamentos da sua empresa para funcionarem ao mesmo tempo, medida em quilowatts (kW).
Os picos de demanda ocorrem quando muitos equipamentos pesados ou motores industriais operam simultaneamente, gerando uma exigência elevada da rede elétrica em um intervalo muito curto. Essa sobrecarga momentânea exige que a infraestrutura da concessionária local esteja dimensionada para suportar a carga máxima da sua planta.
No Ambiente de Contratação Regulada (ACR), as distribuidoras cobram tarifas mais caras durante o horário de ponta (geralmente entre 17h e 20h ou 18h e 21h, variando conforme a região). Esse é o período em que o sistema elétrico nacional sofre a maior sobrecarga, pois o consumo comercial e industrial se sobrepõe ao início do consumo residencial e à iluminação pública.
Para pequenas e médias empresas (PMEs) conectadas em média ou alta tensão, a demanda contratada é um fator de atenção diária. A empresa paga por um limite de potência disponibilizado pela distribuidora. Se a operação fabril ultrapassar esse limite estabelecido durante os picos produtivos, a organização sofre multas por ultrapassagem de demanda. Essas cobranças punitivas costumam custar até o dobro da tarifa normal.
Essas penalidades corroem a margem de lucro da operação. Além disso, a imprevisibilidade de custos atrapalha o planejamento financeiro anual da organização. O gestor nunca sabe exatamente qual será o impacto dessas variações tarifárias e das multas na fatura final, dificultando a alocação correta de recursos para outras áreas vitais do negócio. O descontrole sobre a potência exigida gera desperdício financeiro direto.
Para proteger o caixa e estabilizar as despesas, é preciso otimizar a operação fabril ou comercial. Abaixo, detalhamos ações para equilibrar a carga no seu negócio.
A atitude inicial para controlar a fatura consiste em identificar quais equipamentos consomem mais e em quais horários eles operam. Utilizar sistemas de monitoramento e telemetria permite visualizar curvas de carga em tempo real.
Com esses dados em mãos, a equipe de operações consegue programar o deslocamento do uso de maquinário pesado para fora do horário de ponta, evitando a sobrecarga simultânea do sistema elétrico da planta.
Mudar o modelo de contratação configura a estratégia definitiva para controlar gastos. A flexibilidade proporcionada pela migração para o ambiente de contratação livre permite contornar as imposições rígidas do mercado cativo.
Nesse ambiente, a companhia garante que o perfil de consumo e de demanda da organização seja atendido com flexibilidade, sem as mesmas penalidades restritivas aplicadas pelas distribuidoras.
No Mercado Livre de Energia, a sua empresa ganha a liberdade de negociar prazos, valores e condições de fornecimento diretamente com a comercializadora ou geradora. Isso proporciona previsibilidade orçamentária, pois os contratos eliminam a incidência das bandeiras tarifárias fixadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que encarecem a conta em períodos de crise hídrica.
Para PMEs, a modalidade ideal é o Mercado Livre Varejista. Nesse formato, a Soluções EDP atua como a sua representante, cuidando de todo o processo burocrático e regulatório junto à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
Dessa forma, a sua equipe concentra os esforços operacionais na produção e no crescimento da própria empresa, terceirizando a inteligência energética com especialistas do setor.
Gerenciar ativamente a demanda elétrica é vital para a sobrevivência e a rentabilidade corporativa. Com as análises corretas do comportamento de carga e a migração para o ambiente livre, a sua empresa deixa de acumular custos desnecessários com multas e tarifas de ponta, passando a operar com previsibilidade no caixa.
Quer entender como adaptar essas vantagens ao orçamento da sua operação? Fale com a equipe de especialistas da Soluções EDP ou faça uma simulação de economia e planeje a transição do seu negócio para um modelo de contratação muito mais rentável.
Stella Maris Moreira Fuão é Diretora Comercial na EDP South America, com trajetória executiva no setor elétrico em posições de liderança.
Ao longo da carreira, atuou em áreas comercial e administrativa-financeira, além de gestão de projetos e operações de ativos de geração, transmissão e projetos solares.É bacharel em Direito pela AEUDF e possui MBA em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
Complementa a formação com curso de conselheira (Fundação Dom Cabral), programas executivos em gestão e participação no programa Women on Boards (Nova SBE), em Portugal.Stella escreve sobre Mercado Livre de Energia, com foco no modelo varejista e na evolução regulatória do setor.
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