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O mercado de segunda mão costuma ser tratado como pauta de consumo consciente, mas para uma empresa a lógica é outra: reuso de ativos, maquinário e equipamentos é, antes de tudo, uma decisão de gestão operacional, com impacto direto em custo fixo, depreciação e, cada vez mais, em consumo de energia.
Mercado de segunda mão é o conjunto de transações de compra, venda e reuso de bens já utilizados, incluindo equipamentos e maquinário industrial, prolongando a vida útil de um ativo em vez de descartá-lo. Para uma empresa, isso significa reduzir a necessidade de capital imobilizado em ativos novos e diminuir a demanda por energia associada à fabricação desses bens.
Esse movimento já deixou de ser marginal na indústria brasileira. Segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a USP, a maioria das indústrias no país já adota pelo menos uma prática de economia circular, o que inclui reuso de materiais e equipamentos como uma das frentes mais consolidadas.
Bens de consumo e maquinário industrial seguem a mesma lógica de reuso, mas com implicações diferentes para a gestão de uma empresa:
| Critério | Bens de consumo (segunda mão) | Maquinário e equipamentos industriais |
| Decisão típica | Compra pontual, baixo valor unitário | Investimento planejado, alto valor unitário |
| Impacto financeiro | Economia no orçamento do consumidor | Redução de CapEx e liberação de capital de giro |
| Relação com energia | Evita consumo de fabricação de um item novo | Pode manter equipamentos menos eficientes em operação, exigindo avaliação de consumo |
| Decisão de compra | Baseada em preço e estado de conservação | Baseada em custo total de propriedade e eficiência energética |
O impacto ambiental do reuso já tem respaldo em política pública. A Estratégia Nacional de Economia Circular (ENEC), instituída pelo Decreto nº 12.082/2024, estabelece como diretriz federal a manutenção do valor dos materiais e o aumento do ciclo de vida de bens, com metas e indicadores de circularidade a serem monitorados nacionalmente. Ou seja, o reuso deixou de ser apenas uma prática de mercado e passou a ser eixo de política industrial formal no Brasil.
Para uma operação industrial ou de médio porte, reaproveitar equipamentos, em vez de substituí-los por novos, libera capital que ficaria imobilizado em CapEx e reduz o custo total de propriedade do ativo. O ganho não é só financeiro no momento da aquisição: equipamentos reaproveitados, quando bem avaliados antes da compra, também evitam o consumo energético associado à fabricação de um item novo.
Antes de decidir por um equipamento de segunda mão, alguns pontos merecem checagem técnica:
Essa análise dialoga diretamente com programas oficiais de eficiência energética já em curso na indústria brasileira, como o PotencializEE, iniciativa do Ministério de Minas e Energia (MME) que financia diagnósticos e medidas de eficiência em pequenas e médias indústrias.
Na prática, isso significa que a decisão de reaproveitar um equipamento não deve ser tomada isoladamente do diagnóstico energético da operação como um todo. Um equipamento usado com baixa eficiência energética pode, em alguns casos, gerar um custo operacional maior ao longo do tempo do que a diferença de preço em relação a um modelo novo mais eficiente, o que reforça a necessidade de tratar o reuso como parte de uma análise de custo total, não como decisão isolada de economia na aquisição.
A economia de energia no mercado de segunda mão não se limita ao consumo evitado na fabricação de bens novos. Empresas que já revisam seus ativos em busca de eficiência tendem a aplicar a mesma lógica à forma como contratam energia. Para operações conectadas em média ou alta tensão (Grupo A), isso inclui avaliar cotas de energia, em vez de manter uma estrutura tarifária que não reflete o perfil real de consumo já reduzido pela eficiência operacional.
Empresas que tratam reuso de ativos como estratégia de OpEx passam a tratar a contratação de energia da mesma forma: como uma variável a ser otimizada dentro da operação. O Mercado Livre de Energia para empresas segue essa mesma lógica, permitindo negociar diretamente as condições de fornecimento, com previsibilidade orçamentária no lugar da exposição a reajustes e a bandeiras tarifárias definidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) no ambiente regulado.
Parte dessa negociação envolve aspectos contratuais específicos do setor elétrico, como o Contrato de Uso do Sistema de Distribuição, que regula como a energia contratada no ambiente livre chega fisicamente até a operação da empresa através da rede da distribuidora local.
Apoiada em mais de 20 anos de atuação da EDP no Brasil, a Soluções EDP atua na comercialização de energia no Mercado Livre. Para visualizar como essa migração pode se traduzir em economia real para a sua empresa, use o simulador de economia e projete cenários com base no perfil de consumo do seu negócio.
A lógica é a mesma: evitar a fabricação de um item novo. O impacto tende a ser maior em maquinário industrial, dado o volume de energia e matéria-prima envolvido na produção desse tipo de equipamento.
A análise passa por comparar o custo total de propriedade do equipamento usado, incluindo eventual necessidade de manutenção, com o CapEx e o prazo de retorno de um equipamento novo mais eficiente energeticamente.
Não é pré-requisito. Empresas que já mapeiam seu consumo por eficiência operacional costumam ter mais precisão para dimensionar o contrato de energia no ambiente livre, evitando contratar capacidade acima ou abaixo do necessário.
A Estratégia Nacional de Economia Circular, de 2024, estabelece diretrizes gerais de incentivo ao reuso e à manutenção do valor dos materiais, mas ainda depende de regulamentação e planos setoriais complementares para se traduzir em incentivos específicos por segmento industrial.
Fernando Mussnich é Gerente Executivo de Comercialização de Energia e Originação de Negócios da EDP Brasil. Conta com 20 anos de experiência no mercado de energia atuando a frente de áreas comerciais, trading e originação de negócios com produtos energéticos e produtos financeiros. Formado pela Universidade Paulista (Unip), tem MBA em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e MBA Executivo em Administração e Negócios pelo Insper. Fernando Mussnich escreverá sobre Mercado Livre.
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