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Qui. 22 de outubro de 2026

ENERGIA SOLAR
Data de publicação: 06/10/2026

Entenda como a energia solar cresceu no Brasil, os dados mais recentes de capacidade instalada e geração, e como esse avanço se conecta às decisões de contratação de energia de grandes empresas.

A energia solar deixou de ser uma fonte alternativa e se consolidou como um dos pilares da matriz elétrica brasileira. Para um diretor de operações que avalia riscos tarifários e previsibilidade orçamentária de longo prazo, entender essa evolução deixou de ser opcional: ela já influencia diretamente a infraestrutura de fornecimento e as condições de contratação disponíveis no mercado.

O ritmo dessa expansão surpreendeu até as próprias projeções oficiais do setor, e isso muda a forma como uma operação de grande porte deve planejar sua estratégia energética. Não se trata mais de avaliar se vale a pena considerar a fonte solar, mas de entender como ela já se conecta a decisões mais amplas de contratação, previsibilidade de custo e gestão de risco regulatório.

Quando surgiu a energia solar no Brasil?

A energia solar fotovoltaica começou a ganhar espaço no país a partir de 2012, quando a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) criou as regras iniciais de micro e minigeração distribuída. Desde então, o setor passou por sucessivas atualizações regulatórias, culminando no Marco Legal da Geração Distribuída (Lei nº 14.300/2022), que deu segurança jurídica ao modelo e acelerou sua adoção em todo o país.

Nos primeiros anos, a adoção ficou concentrada em projetos-piloto e sistemas de pequeno porte. O cenário mudou de forma consistente a partir de 2018, quando a redução no custo de painéis e inversores tornou a geração solar competitiva frente às tarifas do mercado cativo, atraindo também projetos de escala industrial.

Como funciona a geração de energia solar

A energia fotovoltaica é gerada quando painéis solares captam a radiação do sol e a convertem diretamente em corrente elétrica contínua, por meio do efeito fotovoltaico em suas células de silício. Um inversor transforma essa corrente contínua em corrente alternada, compatível com a rede elétrica e com os equipamentos de uma planta industrial ou comercial. Essa energia pode ser aproveitada de diferentes formas, da geração local ao consumo remoto via usinas compartilhadas.

O crescimento da energia solar no Brasil em números

O Brasil ultrapassou 72 gigawatts (GW) de capacidade solar instalada em meados de 2026, segundo dados da ANEEL, quase seis vezes a projeção oficial de 13 GW feita em 2017 para este mesmo ano. Desse total, cerca de 50 GW vêm de micro e minigeração distribuída, e pouco mais de 22,5 GW de usinas centralizadas de grande porte, a parcela mais relevante para operações industriais de grande escala.

Esse avanço também aparece nos dados de geração: segundo o Balanço Energético Nacional 2026, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a geração solar fotovoltaica somou 88,1 TWh em 2025, um crescimento de 24,7% frente ao ano anterior. Esse mercado hoje é consolidado, não mais experimental, com histórico de dados suficiente para embasar decisões de investimento de longo prazo.

O outro lado do crescimento: infraestrutura sob pressão

O ritmo de expansão da fonte solar também trouxe desafios reais para o sistema elétrico. Grande parte da rede de transmissão e distribuição foi planejada em um cenário com participação solar bem menor do que a observada hoje, o que já gera episódios de restrição de acesso e cortes de geração (curtailment) em regiões com limitação de escoamento.

Para uma empresa que avalia geração própria em grande escala, isso reforça um ponto prático: o dimensionamento técnico da usina resolve parte da equação de custo, mas não elimina a exposição a limitações de infraestrutura da rede, um fator que também pesa na decisão sobre como contratar a energia complementar. Projetos localizados em regiões com maior saturação de rede tendem a exigir uma análise mais criteriosa antes da decisão de investimento, incluindo o histórico de cortes de geração da região específica.

Por que grandes empresas já não tratam energia solar como opcional

A redução contínua do custo de painéis, inversores e sistemas de monitoramento tornou a geração solar economicamente competitiva mesmo em escala industrial. Para operações com consumo elevado e contínuo, isso significa a possibilidade de reduzir a exposição a reajustes tarifários do ambiente regulado, complementando a previsibilidade orçamentária de longo prazo que o setor já busca. Empresas que hoje avaliam contratar uma empresa de energia solar para dimensionar esse tipo de projeto encontram um mercado maduro, com histórico técnico suficiente para embasar a decisão.

Empresas que já avaliam esse tipo de investimento também reportam, cada vez mais, vantagens específicas do avanço solar:

  • origem renovável, sem dependência de combustíveis fósseis;
  • previsibilidade de custo mais estável que fontes sujeitas a flutuação internacional de preço;
  • potencial de redução de exposição a reajustes tarifários do ambiente regulado;
  • alinhamento a metas ESG cada vez mais monitoradas por investidores e parceiros comerciais.

Essas vantagens, no entanto, dependem de um dimensionamento técnico correto do projeto e de uma análise realista do payback esperado, que varia conforme a região, o perfil de consumo e a infraestrutura de rede disponível no ponto de conexão.

Da geração própria à contratação no Mercado Livre

Nenhuma usina, por bem dimensionada que seja, cobre 100% do consumo de uma operação industrial em todos os horários. A parcela que continua vindo da rede segue exposta às bandeiras tarifárias definidas pela ANEEL, a menos que a empresa também revise sua forma de contratação.

No Mercado Livre de Energia, empresas de grande porte negociam diretamente as condições de fornecimento dessa parcela complementar com uma comercializadora, combinando geração própria com previsibilidade contratual. Essa combinação costuma ser mais eficiente do que depender de uma única frente isoladamente, especialmente para operações com consumo elevado e contínuo ao longo do ano.

Duas estratégias, uma só decisão de negócio

O crescimento da energia solar no Brasil já não é uma tendência a ser observada de longe: é um fator que já influencia diretamente a infraestrutura e as condições de contratação de energia disponíveis para grandes empresas. Tratar geração própria e contratação no Mercado Livre como decisões coordenadas, em vez de escolhas isoladas, costuma ser o que sustenta previsibilidade orçamentária real ao longo dos anos.

A Soluções EDP acompanha esse cenário com atuação consolidada no Mercado Livre de Energia, apoiada em mais de 20 anos de operação no Brasil. Use o simulador de economia para avaliar como essa combinação pode se aplicar ao perfil de consumo da sua operação.

Perguntas frequentes sobre energia solar no Brasil

Quando surgiu a energia solar no Brasil?

A partir de 2012, com a criação das regras de micro e minigeração distribuída pela ANEEL, consolidadas depois pelo Marco Legal da Geração Distribuída (Lei nº 14.300/2022).

Qual a capacidade solar instalada no Brasil atualmente?

O país ultrapassou 72 GW em meados de 2026, segundo a ANEEL, sendo cerca de 50 GW em geração distribuída e pouco mais de 22,5 GW em usinas centralizadas.

Ter geração solar própria elimina a necessidade de contratar energia no Mercado Livre?

Não. Nenhuma usina cobre 100% do consumo em todos os horários, e a parcela restante segue exposta às regras do ambiente regulado, a menos que a forma de contratação também seja revisada.

O crescimento acelerado da energia solar traz algum risco para grandes consumidores?

Sim, indiretamente. A expansão rápida já gera episódios de restrição de acesso e cortes de geração em algumas regiões, o que reforça a importância de avaliar também a infraestrutura de escoamento ao planejar um projeto de grande porte.

Vale a pena investir em geração solar própria se a empresa já está no Mercado Livre de Energia?

Sim, as duas estratégias são complementares. A geração própria reduz o volume de energia comprado da rede, e a contratação no Mercado Livre dá previsibilidade de preço à parcela que continua vindo da rede.

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Stella Maris Moreira Fuão

Este conteúdo foi produzido por Stella Maris Moreira Fuão.

Stella Maris Moreira Fuão é Diretora Comercial na EDP South America, com trajetória executiva no setor elétrico em posições de liderança.

Ao longo da carreira, atuou em áreas comercial e administrativa-financeira, além de gestão de projetos e operações de ativos de geração, transmissão e projetos solares.É bacharel em Direito pela AEUDF e possui MBA em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Complementa a formação com curso de conselheira (Fundação Dom Cabral), programas executivos em gestão e participação no programa Women on Boards (Nova SBE), em  Portugal.Stella escreve sobre Mercado Livre de Energia, com foco no modelo varejista e na evolução regulatória do setor.

 

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