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Abrir uma academia envolve decisões conhecidas: investimento em equipamentos, escolha de localização, contratação de equipe qualificada. Um custo, porém, costuma ser tratado só como item de reforma e não como linha de planejamento contínuo: a energia elétrica. Em um negócio com climatização de ambientes grandes, iluminação constante, equipamentos elétricos e vestiários com chuveiro, esse custo acompanha a operação todos os meses, e vale a mesma atenção dada a aluguel e folha de pagamento.
Um plano de negócios de academia costuma detalhar investimento inicial, ponto de equilíbrio e projeção de receita, mas raramente inclui uma projeção específica de consumo de energia. Isso é uma lacuna real: estudos sobre a sustentabilidade econômica de redes de academias no Brasil já tratam energia elétrica como um dos custos fixos e variáveis relevantes na análise de ponto de equilíbrio, ao lado de aluguel, folha de pagamento e royalties. Incluir uma estimativa de consumo desde o plano de negócios evita surpresas no fluxo de caixa nos primeiros meses de operação, período em que o negócio ainda não tem receita consolidada para absorver gastos inesperados.
Além da estimativa inicial, vale revisar essa projeção periodicamente, à medida que a base de alunos cresce e novos equipamentos são adicionados. Um erro comum é dimensionar o consumo de energia apenas com base na estrutura do primeiro mês de operação, sem considerar o crescimento esperado nos primeiros dois ou três anos do negócio.
Os passos centrais para abrir uma academia seguem uma sequência já bem estabelecida:
A esses passos, vale acrescentar desde o início um dimensionamento da conta de energia esperada, considerando a potência dos equipamentos de cardio, sistemas de climatização e iluminação de toda a área útil. Esse dimensionamento inicial também ajuda a avaliar, desde a fase de planejamento, qual tipo de energia faz mais sentido para o perfil do negócio, antes mesmo da assinatura do contrato de aluguel.
Assim como em qualquer negócio do Grupo B, os custos de energia de uma academia se dividem em quatro categorias. O custo fixo está ligado à demanda contratada junto à distribuidora, que precisa ser dimensionada para o funcionamento simultâneo de equipamentos, iluminação e climatização em horários de pico de alunos. Entender como calcular a demanda contratada corretamente evita tanto o pagamento por uma capacidade acima do necessário quanto o risco de ultrapassagens em horários de maior movimento.
O custo variável acompanha diretamente o volume de uso, crescendo com a base de alunos e o horário de funcionamento. Já o custo previsível se manifesta na sazonalidade: mais uso de ar-condicionado no verão, mais aquecimento de água em chuveiros no inverno, algo que pode ser antecipado no orçamento anual. Por fim, o custo imprevisível está nas bandeiras tarifárias, que incidem sobre o consumo independentemente da eficiência dos equipamentos escolhidos.
O enquadramento tarifário de uma academia depende da tensão de conexão da unidade. Conforme a classificação estabelecida pelo decreto federal que organiza os grupos tarifários, consumidores ligados em tensão igual ou superior a 2.300 volts pertencem ao Grupo A, geralmente academias de grande porte ou redes com alta carga instalada; os demais, ligados em tensão inferior, pertencem ao Grupo B, perfil mais comum em academias de bairro e estúdios de menor porte.
| Enquadramento | Perfil típico de academia | Cobrança |
| Grupo A | Redes de grande porte, unidades com alta carga instalada | Consumo + demanda contratada |
| Grupo B | Academias de bairro, estúdios de menor porte | Só consumo (tarifa monômia) |
No ambiente regulado, as bandeiras tarifárias, definidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) conforme as condições de geração do sistema, incidem sobre o consumo de qualquer academia do Grupo B, independentemente de quão eficientes sejam os equipamentos instalados. Isso significa que, mesmo com um planejamento financeiro cuidadoso e com o dimensionamento correto de custos fixos, variáveis e previsíveis, a academia continua exposta a reajustes que fogem ao seu controle direto ao longo do ano, o que reforça a importância de olhar para a forma de contratação de energia, não só para os hábitos de consumo.
Um plano de negócios bem estruturado olha também para o médio prazo. A partir de 25 de novembro de 2027, academias do Grupo B conectadas em baixa tensão poderão migrar para o Mercado Livre de Energia, uma mudança que vale considerar já na fase de planejamento, mesmo que a migração em si só aconteça mais adiante. Academias já conectadas em média ou alta tensão (Grupo A) não precisam esperar: podem negociar essas condições com uma comercializadora desde já.
Para quem está planejando abrir uma academia hoje, considerar essa mudança futura no planejamento financeiro de longo prazo é uma forma de já se preparar para uma gestão de energia mais previsível assim que a migração estiver disponível para o seu enquadramento. Isso vale tanto para quem está estruturando o plano de negócios agora quanto para academias já em operação que ainda não avaliaram essa alternativa.
Apoiada em mais de 20 anos de atuação da EDP no Brasil, a Soluções EDP atua na comercialização de energia no Mercado Livre. Para visualizar como essa migração pode se traduzir em economia real para o seu negócio, use o simulador de economia e projete cenários com base no perfil de consumo da sua operação.
Sim. Como energia é um custo recorrente e ligado ao tamanho da estrutura, incluir essa estimativa desde o início evita surpresas no fluxo de caixa dos primeiros meses de operação.
Depende da tensão de conexão contratada junto à distribuidora, não apenas do número de equipamentos. A maioria das academias de bairro se enquadra no Grupo B.
A elegibilidade depende do enquadramento tarifário da unidade consumidora, não do estágio de operação do negócio. Uma academia já conectada em média ou alta tensão pode avaliar a migração assim que a unidade estiver formalizada.
Vale comparar a demanda contratada com os picos reais de consumo registrados na fatura, especialmente nos horários de maior movimento de alunos. Se a demanda medida fica sempre bem abaixo do valor contratado, pode haver espaço para revisar esse contrato junto à distribuidora.
Tomás Baldaque da Silva é Vice-presidente da EDP e membro do time de gestão da EDP South America, com carreira em estratégia, vendas e marketing B2B e B2C nos setores de energia e serviços. É graduado em Economia e tem MBA pela IE Business School, além de formação executiva em liderança (IMD). Atua conectando visão de mercado, posicionamento e crescimento de negócios em diferentes geografias. Tomás escreve sobre liberalização do mercado, estratégia setorial e a evolução do Mercado Livre de Energia no Brasil.
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