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Dom. 11 de outubro de 2026

MERCADO LIVRE
Data de publicação: 24/09/2026

Abrir uma academia envolve decisões conhecidas: investimento em equipamentos, escolha de localização, contratação de equipe qualificada. Um custo, porém, costuma ser tratado só como item de reforma e não como linha de planejamento contínuo: a energia elétrica. Em um negócio com climatização de ambientes grandes, iluminação constante, equipamentos elétricos e vestiários com chuveiro, esse custo acompanha a operação todos os meses, e vale a mesma atenção dada a aluguel e folha de pagamento.

Plano de negócios: onde a energia entra no planejamento financeiro

Um plano de negócios de academia costuma detalhar investimento inicial, ponto de equilíbrio e projeção de receita, mas raramente inclui uma projeção específica de consumo de energia. Isso é uma lacuna real: estudos sobre a sustentabilidade econômica de redes de academias no Brasil já tratam energia elétrica como um dos custos fixos e variáveis relevantes na análise de ponto de equilíbrio, ao lado de aluguel, folha de pagamento e royalties. Incluir uma estimativa de consumo desde o plano de negócios evita surpresas no fluxo de caixa nos primeiros meses de operação, período em que o negócio ainda não tem receita consolidada para absorver gastos inesperados.

Além da estimativa inicial, vale revisar essa projeção periodicamente, à medida que a base de alunos cresce e novos equipamentos são adicionados. Um erro comum é dimensionar o consumo de energia apenas com base na estrutura do primeiro mês de operação, sem considerar o crescimento esperado nos primeiros dois ou três anos do negócio.

Passo a passo de abertura, do plano de negócios à licença

Os passos centrais para abrir uma academia seguem uma sequência já bem estabelecida:

  • definir o modelo de negócio (tradicional, boutique, 24 horas ou franquia), já que isso influencia diretamente o perfil de consumo de energia esperado;
  • escolher a localização, considerando custo de aluguel, acesso e também a infraestrutura elétrica disponível no imóvel;
  • dimensionar o investimento em equipamentos, que costuma representar entre 40% e 60% do investimento total, conforme o porte da academia;
  • contratar profissionais de educação física registrados e equipe de atendimento;
  • estruturar a documentação, CNAE e licenças específicas exigidas pelo município.

A esses passos, vale acrescentar desde o início um dimensionamento da conta de energia esperada, considerando a potência dos equipamentos de cardio, sistemas de climatização e iluminação de toda a área útil. Esse dimensionamento inicial também ajuda a avaliar, desde a fase de planejamento, qual tipo de energia faz mais sentido para o perfil do negócio, antes mesmo da assinatura do contrato de aluguel.

Custos fixos, variáveis, previsíveis e imprevisíveis de uma academia

Assim como em qualquer negócio do Grupo B, os custos de energia de uma academia se dividem em quatro categorias. O custo fixo está ligado à demanda contratada junto à distribuidora, que precisa ser dimensionada para o funcionamento simultâneo de equipamentos, iluminação e climatização em horários de pico de alunos. Entender como calcular a demanda contratada corretamente evita tanto o pagamento por uma capacidade acima do necessário quanto o risco de ultrapassagens em horários de maior movimento.

O custo variável acompanha diretamente o volume de uso, crescendo com a base de alunos e o horário de funcionamento. Já o custo previsível se manifesta na sazonalidade: mais uso de ar-condicionado no verão, mais aquecimento de água em chuveiros no inverno, algo que pode ser antecipado no orçamento anual. Por fim, o custo imprevisível está nas bandeiras tarifárias, que incidem sobre o consumo independentemente da eficiência dos equipamentos escolhidos.

Grupo A ou Grupo B: em qual enquadramento sua academia se encaixa

O enquadramento tarifário de uma academia depende da tensão de conexão da unidade. Conforme a classificação estabelecida pelo decreto federal que organiza os grupos tarifários, consumidores ligados em tensão igual ou superior a 2.300 volts pertencem ao Grupo A, geralmente academias de grande porte ou redes com alta carga instalada; os demais, ligados em tensão inferior, pertencem ao Grupo B, perfil mais comum em academias de bairro e estúdios de menor porte.


Enquadramento Perfil típico de academia Cobrança
Grupo A Redes de grande porte, unidades com alta carga instalada Consumo + demanda contratada
Grupo B Academias de bairro, estúdios de menor porte Só consumo (tarifa monômia)
Saber esse enquadramento desde a abertura ajuda a entender, mais adiante, quais alternativas de contratação de energia estarão disponíveis para o negócio, além de orientar decisões técnicas junto ao eletricista responsável pela instalação.

Bandeiras tarifárias e o impacto no orçamento do Grupo B

No ambiente regulado, as bandeiras tarifárias, definidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) conforme as condições de geração do sistema, incidem sobre o consumo de qualquer academia do Grupo B, independentemente de quão eficientes sejam os equipamentos instalados. Isso significa que, mesmo com um planejamento financeiro cuidadoso e com o dimensionamento correto de custos fixos, variáveis e previsíveis, a academia continua exposta a reajustes que fogem ao seu controle direto ao longo do ano, o que reforça a importância de olhar para a forma de contratação de energia, não só para os hábitos de consumo.

Planejar hoje pensando na abertura de 2027

Um plano de negócios bem estruturado olha também para o médio prazo. A partir de 25 de novembro de 2027, academias do Grupo B conectadas em baixa tensão poderão migrar para o Mercado Livre de Energia, uma mudança que vale considerar já na fase de planejamento, mesmo que a migração em si só aconteça mais adiante. Academias já conectadas em média ou alta tensão (Grupo A) não precisam esperar: podem negociar essas condições com uma comercializadora desde já.

Para quem está planejando abrir uma academia hoje, considerar essa mudança futura no planejamento financeiro de longo prazo é uma forma de já se preparar para uma gestão de energia mais previsível assim que a migração estiver disponível para o seu enquadramento. Isso vale tanto para quem está estruturando o plano de negócios agora quanto para academias já em operação que ainda não avaliaram essa alternativa.

Apoiada em mais de 20 anos de atuação da EDP no Brasil, a Soluções EDP atua na comercialização de energia no Mercado Livre. Para visualizar como essa migração pode se traduzir em economia real para o seu negócio, use o simulador de economia e projete cenários com base no perfil de consumo da sua operação.

Perguntas frequentes sobre como abrir uma academia

Vale a pena incluir uma projeção de consumo de energia no plano de negócios da academia?

Sim. Como energia é um custo recorrente e ligado ao tamanho da estrutura, incluir essa estimativa desde o início evita surpresas no fluxo de caixa dos primeiros meses de operação.

Uma academia pequena, com poucos equipamentos, se enquadra no Grupo A ou Grupo B?

Depende da tensão de conexão contratada junto à distribuidora, não apenas do número de equipamentos. A maioria das academias de bairro se enquadra no Grupo B.

É possível migrar para o Mercado Livre antes de a academia estar totalmente operacional?

A elegibilidade depende do enquadramento tarifário da unidade consumidora, não do estágio de operação do negócio. Uma academia já conectada em média ou alta tensão pode avaliar a migração assim que a unidade estiver formalizada.

Como saber se a demanda contratada da academia está bem dimensionada?

Vale comparar a demanda contratada com os picos reais de consumo registrados na fatura, especialmente nos horários de maior movimento de alunos. Se a demanda medida fica sempre bem abaixo do valor contratado, pode haver espaço para revisar esse contrato junto à distribuidora.

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Tomás Baldaque da Silva

Este conteúdo foi produzido por Tomás Baldaque da Silva.

Tomás Baldaque da Silva é Vice-presidente da EDP e membro do time de gestão da EDP South America, com carreira em estratégia, vendas e marketing B2B e B2C nos setores de energia e serviços. É graduado em Economia e tem MBA pela IE Business School, além de formação executiva em liderança (IMD). Atua conectando visão de mercado, posicionamento e crescimento de negócios em diferentes geografias. Tomás escreve sobre liberalização do mercado, estratégia setorial e a evolução do Mercado Livre de Energia no Brasil.


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