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Custo fixo é toda despesa que não varia com o volume de produção ou vendas de uma empresa: aluguel, salários fixos, seguros, depreciação de equipamentos. São gastos que continuam existindo mesmo em meses de baixa atividade, e por isso exigem planejamento orçamentário de longo prazo.
Diferente do custo variável, que oscila com a produção ou vendas, o custo fixo se mantém estável mês a mês, conceito consolidado na contabilidade de custos. Para uma rede varejista com múltiplas lojas, isso significa que cada unidade carrega uma estrutura de custo fixo própria, replicada dezenas ou centenas de vezes:
Entender com precisão o que é fixo e o que é variável dentro de cada categoria de despesa é o que permite calcular corretamente o ponto de equilíbrio de cada unidade, e do negócio como um todo. Para uma rede com dezenas de lojas, esse cálculo feito loja a loja, em vez de só no consolidado da operação, costuma revelar unidades com estrutura de custo fixo desproporcional ao seu volume de vendas, algo que passa despercebido quando a análise é feita apenas no nível corporativo.
A conta de energia costuma ser tratada como um bloco único de custo variável, mas parte dela é, tecnicamente, um custo fixo. A demanda contratada é o valor combinado com a distribuidora para garantir capacidade de fornecimento suficiente nos horários de maior uso de uma loja: iluminação, climatização, sistemas de refrigeração em segmentos que dependem disso. Esse valor é cobrado todo mês, independentemente de a loja ter vendido muito ou pouco naquele período.
Para uma rede com muitas unidades, um dimensionamento de demanda contratada acima do necessário em cada loja se multiplica rapidamente: um erro de poucos por cento por unidade, replicado em centenas de pontos, representa uma linha de custo fixo agregado bem maior do que parece isoladamente. O problema costuma passar despercebido justamente porque cada loja, olhada de forma isolada, mostra um valor pequeno de sobra na fatura, insuficiente para chamar atenção da gestão financeira central.
Revisar o consumo de uma loja (trocar lâmpadas, ajustar horários de climatização) atua sobre a parcela variável da conta de energia; estratégias específicas de eficiência para o comércio ajudam nessa frente. Já revisar a demanda contratada atua sobre a parcela fixa: é um ajuste técnico, feito junto à distribuidora, que muda o valor cobrado todo mês, independentemente de qualquer mudança de comportamento no dia a dia da loja.
As duas ações são complementares, mas exigem abordagens diferentes: uma é operacional e contínua; a outra é técnica e pontual, revisada normalmente quando a operação muda de porte ou de padrão de uso. Uma loja que passou por reforma, ampliou a área de vendas ou trocou equipamentos de climatização, por exemplo, costuma ter um perfil de consumo diferente do que tinha quando a demanda contratada foi originalmente definida, o que já justifica uma nova revisão técnica.
Além do valor da demanda em si, empresas no ambiente regulado seguem expostas ao cenário de preço formado pelas bandeiras tarifárias definidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Isso significa que, mesmo com a demanda contratada corretamente dimensionada, o valor final pago por essa capacidade continua sujeito a reajustes fora do controle direto da rede varejista.
Esse tipo de exposição é particularmente relevante para o planejamento orçamentário anual: uma rede pode dimensionar corretamente sua demanda contratada em janeiro e, ainda assim, ver o valor pago por essa mesma capacidade variar ao longo do ano, conforme as condições de geração do sistema elétrico mudam as bandeiras tarifárias vigentes.
No Mercado Livre de Energia, a empresa negocia diretamente as condições de fornecimento com uma comercializadora, incluindo o tratamento da demanda contratada, com previsibilidade de custo que reduz a exposição a bandeiras tarifárias do ambiente regulado.
Para redes varejistas com múltiplas unidades, o Mercado Livre Varejista costuma ser o modelo mais adequado: a comercializadora assume boa parte da responsabilidade operacional e burocrática junto à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o que facilita a padronização da gestão de energia entre lojas, em vez de tratar cada unidade de forma isolada.
Revisar o dimensionamento técnico da demanda contratada e revisar a forma como a energia é contratada são duas frentes distintas, mas que atuam sobre o mesmo custo fixo: a primeira corrige um erro de engenharia; a segunda reduz a exposição a decisões regulatórias que fogem ao controle da operação. Para uma rede com muitas unidades, tratar as duas frentes juntas, em vez de isoladamente, costuma ser o que diferencia uma gestão de custo fixo reativa de uma realmente estratégica.
Apoiada em mais de 20 anos de atuação da Soluções EDP no Brasil, a empresa negocia energia diretamente com redes varejistas de todos os portes no Mercado Livre. Use o simulador de economia para avaliar o peso real da demanda contratada na estrutura de custo fixo das suas lojas.
É um custo misto. A demanda contratada é fixa, cobrada independentemente do volume de operação. O consumo efetivo em kWh é variável, e cresce ou diminui conforme a atividade da loja.
Sim, quando o valor contratado está acima do necessário para os picos reais de uso da loja. Esse ajuste é técnico e feito junto à distribuidora, diferente de medidas de eficiência no consumo do dia a dia.
Vale avaliar caso a caso, já que o perfil de consumo pode variar entre unidades, mas padronizar o processo de revisão evita que pequenos erros de dimensionamento se acumulem em várias lojas ao mesmo tempo.
Não por completo, mas reduz de forma estrutural essa exposição, já que o preço passa a ser negociado em contrato, em vez de seguir as regras do ambiente regulado.
Não existe uma periodicidade fixa, mas costuma valer a pena revisar após mudanças relevantes na operação, como reforma, ampliação da área de vendas ou troca de equipamentos de climatização e refrigeração.
Tomás Baldaque da Silva é Vice-presidente da EDP e membro do time de gestão da EDP South America, com carreira em estratégia, vendas e marketing B2B e B2C nos setores de energia e serviços. É graduado em Economia e tem MBA pela IE Business School, além de formação executiva em liderança (IMD). Atua conectando visão de mercado, posicionamento e crescimento de negócios em diferentes geografias. Tomás escreve sobre liberalização do mercado, estratégia setorial e a evolução do Mercado Livre de Energia no Brasil.
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