A gestão orçamentária corporativa exige o acompanhamento constante das despesas de operação. Na indústria e no grande varejo, a fatura de eletricidade compõe uma fatia alta dos custos de produção.
Muitas empresas realizam o pagamento mensal das faturas sem avaliar tecnicamente os números registrados nos medidores. O valor final cobrado pela concessionária é o resultado de como a organização utiliza as suas máquinas e equipamentos ao longo do mês.
Compreender o perfil de consumo de energia elétrica ajuda a liderança a adequar a carga, evitar o pagamento de penalidades financeiras e basear decisões sobre a compra do suprimento energético. A seguir, explicamos como interpretar esses dados e utilizá-los a favor do seu caixa.
O perfil de consumo consiste no padrão de comportamento do uso de eletricidade por uma unidade consumidora ao longo do tempo. Ele não reflete apenas a quantidade de quilowatts-hora (kWh) gastos em trinta dias, mas também o horário em que os equipamentos são ligados, a intensidade do uso e a variação da necessidade energética durante o ano.
Para a distribuidora local, esse perfil define a dimensão da infraestrutura necessária para atender a sua planta. Para a empresa, ele indica o quão eficiente a operação fabril ou comercial está sendo e se os limites contratuais estabelecidos estão alinhados com a realidade da operação.
A atitude inicial para realizar essa identificação exige a análise do histórico de contas de luz da organização, abrangendo um período mínimo de doze meses. Durante o processo de leitura desses documentos, os gestores devem observar três pilares centrais.
As organizações atendidas em média e alta tensão (Grupo A) pagam por um limite de potência disponibilizado pela distribuidora (a demanda contratada).
Compare a demanda contratada no documento com a demanda efetivamente medida no mês.
Identifique se a planta está ultrapassando o limite e gerando cobranças de multas por ultrapassagem.
Observe se a potência medida está muito abaixo do limite, o que significa pagar por uma infraestrutura ociosa.
O uso de maquinário varia conforme a época do ano.
Verifique os meses em que o registro de kWh atinge o ápice, cruzando esse dado com os meses de maior produção industrial ou de vendas no varejo.
Analise o impacto das estações do ano, especialmente no uso de sistemas de refrigeração e ar-condicionado durante o verão.
A tarifa cobrada muda de acordo com a hora do dia no ambiente regulado.
Cheque o consumo registrado no horário de ponta (geralmente entre 17h e 20h ou 18h e 21h).
Avalie se existe a possibilidade de deslocar o funcionamento de motores pesados para o horário fora de ponta, onde a tarifa cobrada pela distribuidora tem um custo menor.
As características do uso de eletricidade determinam a viabilidade de adotar novos modelos de compra. No ambiente de contratação regulada (ACR), o mercado cativo, as tarifas são impostas pelo governo e a organização não tem poder de negociação para adaptar a cobrança ao seu perfil específico.
No Mercado Livre de Energia, o cenário inverte-se. A companhia detém o histórico do próprio consumo em mãos e utiliza essa informação para negociar contratos bilaterais com comercializadoras e geradoras.
Ter o mapeamento claro da sua carga permite firmar um acordo flexível, estabelecendo volumes mínimos e máximos de compra que acompanham a sazonalidade da sua fábrica sem gerar multas imprevistas.
A transição exige análise técnica e financeira. Para verificar se a migração atende aos interesses do seu negócio, aplique as seguintes avaliações na sua rotina:
Confirme a elegibilidade. Verifique se a sua unidade consumidora está conectada na média ou alta tensão, requisito regulatório para integrar o Grupo A e participar do mercado livre.
Projete a proteção contra bandeiras tarifárias. Calcule o impacto financeiro que a organização sofreu com as bandeiras amarelas e vermelhas nos últimos anos e compare com a estabilidade de um contrato de preço fixo.
Analise a previsibilidade orçamentária. Avalie como a ausência de reajustes tarifários imprevistos melhoraria a precificação dos seus produtos a longo prazo.
A coleta de dados e o cruzamento de tarifas exigem tempo da equipe de operações. A Soluções EDP otimiza essa avaliação oferecendo suporte na leitura do seu histórico.
Acesse o simulador de economia de energia e preencha as informações do seu negócio. A ferramenta processa os números da sua fatura atual e apresenta uma estimativa comparativa entre os gastos no mercado cativo e a projeção no ambiente livre. Com os dados processados, a liderança obtém a segurança para estruturar novos modelos de contratação.
A informação da classificação tarifária consta no cabeçalho da conta de luz emitida pela concessionária local. Empresas atendidas por redes subterrâneas de alta tensão ou transformadores exclusivos no poste operam no Grupo A.
Ocorre quando os equipamentos da organização exigem, em um mesmo momento, uma potência elétrica superior ao limite contratado junto à distribuidora. A distribuidora aplica uma tarifa penalizadora sobre o excedente.
Sim. A infraestrutura física (fios e postes) pertence à concessionária local, que mantém a responsabilidade de entregar a eletricidade e garantir a manutenção da rede, independentemente de quem comercializou a energia para a sua companhia.
Stella Maris Moreira Fuão é Diretora Comercial na EDP South America, com trajetória executiva no setor elétrico em posições de liderança.
Ao longo da carreira, atuou em áreas comercial e administrativa-financeira, além de gestão de projetos e operações de ativos de geração, transmissão e projetos solares.É bacharel em Direito pela AEUDF e possui MBA em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
Complementa a formação com curso de conselheira (Fundação Dom Cabral), programas executivos em gestão e participação no programa Women on Boards (Nova SBE), em Portugal.Stella escreve sobre Mercado Livre de Energia, com foco no modelo varejista e na evolução regulatória do setor.
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