Compreender a origem da energia consumida na sua operação é uma decisão com impacto direto no caixa da empresa. As fontes que alimentam a produção influenciam a previsibilidade de custos, a dependência de impostos regulatórios e as alternativas de negociação no orçamento corporativo.
Neste artigo, explicamos os tipos de geração de energia, as distinções entre eles e de que modo esse conhecimento protege as finanças dos negócios.
A geração de energia consiste no processo de transformar recursos naturais, sejam eles renováveis ou não, em eletricidade. Para empresas, essa dinâmica possui relação direta com a estrutura de despesas operacionais.
Cada fonte apresenta variações de custo, volume de operação e disponibilidade. O setor elétrico brasileiro baseia-se majoritariamente em usinas dependentes de recursos hídricos. Quando os reservatórios estão baixos, o sistema aciona fontes térmicas mais onerosas, repassando o aumento ao consumidor por meio das bandeiras tarifárias reguladas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Ao entender as opções do mercado, você identifica alternativas para não ficar exposto a essa variação financeira.
Existem 7 tipos principais de geração que abastecem a matriz global. Abaixo, detalhamos como cada modelo funciona.
É a base da matriz elétrica brasileira. A energia hidrelétrica converte a força da água dos rios em eletricidade por meio de turbinas nas usinas. Embora seja uma fonte renovável, sua capacidade de entrega depende do regime de chuvas, o que pode causar oscilações no valor da eletricidade distribuída.
A captação da radiação do sol por painéis fotovoltaicos tornou a energia solar uma das matrizes em maior expansão no país. Além da instalação própria de sistemas em telhados ou terrenos, a modalidade de geração distribuída ganhou tração no mercado. Nesse formato, a energia gerada em usinas solares é injetada na rede da distribuidora local e convertida em créditos na fatura do consumidor. Trata-se de uma fonte limpa que contribui de forma direta para a redução de emissões de gases de efeito estufa.
A energia eólica transforma a força dos ventos em eletricidade por meio de aerogeradores. Trata-se de uma matriz de baixo impacto ambiental direto e que atua como importante complemento para a geração hidrelétrica nacional durante períodos de seca, com forte presença na região Nordeste.
A geração por biomassa utiliza matéria orgânica, como bagaço de cana-de-açúcar, resíduos agrícolas e madeira, para produzir calor e movimentar turbinas. É uma alternativa importante no setor agroindustrial para reaproveitar resíduos que seriam descartados, gerando eletricidade de forma controlada.
Para compreender o mapa energético de forma ampla, listamos as demais matrizes de geração:
Termelétrica: Produz eletricidade a partir da queima de combustíveis fósseis (carvão, gás natural, óleo). É acionada como segurança para garantir o suprimento quando outras fontes apresentam baixa.
Nuclear: Utiliza a fissão de elementos como o urânio para gerar calor. Apresenta alta capacidade de produção, mas demanda protocolos complexos de controle.
Geotérmica: Aproveita o calor vindo do interior da Terra. A viabilidade técnica depende de regiões com características geológicas vulcânicas específicas.
A regulamentação do setor estabelece diretrizes para a micro e minigeração de energia. Com o marco legal (Lei nº 14.300/2022), a ANEEL definiu regras de transição na cobrança de componentes tarifários pelo uso da rede.
As categorias dividem-se da seguinte forma:
GD I: Enquadra os projetos protocolados até 07 de janeiro de 2023. Mantêm as regras originais de compensação até o ano de 2045.
GD II: Refere-se a solicitações feitas a partir de 08 de janeiro de 2023 até o mês de julho de 2023. Essas unidades passam por uma transição gradual no pagamento da tarifa de uso da rede de distribuição.
GD III: Engloba projetos protocolados após julho de 2023, que arcam com regras tarifárias atualizadas com base nas diretrizes específicas do órgão regulador.
Compreender esse enquadramento auxilia na avaliação técnica e financeira de projetos de usinas solares.
Depender exclusivamente do Ambiente de Contratação Regulada (ACR) mantém a empresa refém das variações climáticas e das bandeiras tarifárias. Diversificar as fontes e o ambiente de contratação traz previsibilidade de custos.
Ao migrar para fontes limpas, você alia a otimização de gastos à redução de emissões de carbono, equilibrando a gestão de orçamento aos indicadores ambientais da corporação.
Conhecer as fontes de geração possibilita estruturar um planejamento mais eficiente e seguro. Avaliar as características de cada matriz permite que os gestores tomem decisões focadas em proteger o orçamento corporativo contra oscilações do setor elétrico e, ao mesmo tempo, melhorar os indicadores ambientais da operação.
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Diogo Angelo Stradioto atua na EDP no desenvolvimento e na gestão de soluções e produtos de energia, com sólida experiência em eficiência energética e geração solar distribuída. É engenheiro mecânico pela UNISC e possui mestrado e doutorado em Energia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Sua trajetória profissional abrange atividades de engenharia, análise de viabilidade de novos produtos, otimização energética, além da operação e manutenção de ativos de energia. Também se dedica à produção de conteúdo técnico, escrevendo sobre produtos de energia e soluções comerciais, com foco em modelos de precificação e gestão de custos para empresas.
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