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A energia é um dos custos fixos que mais pesam na operação de um posto de gasolina, especialmente naqueles que funcionam 24 horas por dia, com iluminação, bombas de combustível, compressores e sistemas de refrigeração sempre ligados. Reduzir esse consumo não é só uma questão ambiental: é uma forma direta de proteger a margem de lucro do negócio.
A conta de luz de um posto de gasolina é composta por três elementos principais: a energia efetivamente consumida, medida em kWh; a demanda contratada, que é a potência máxima que a unidade pode utilizar em um período, relevante sobretudo para consumidores em média tensão; e taxas adicionais como bandeiras tarifárias, encargos e tributos. As bandeiras tarifárias são definidas mensalmente pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), de acordo com as condições de geração do sistema elétrico, e podem aumentar o valor final da fatura mesmo sem mudança no consumo do posto.
| Componente | O que é | Como impacta o custo |
|---|---|---|
| Energia consumida (kWh) | Quantidade de eletricidade efetivamente usada no período | Varia conforme o consumo real do posto |
| Demanda contratada | Potência máxima reservada junto à distribuidora | Cobrada mesmo que não seja totalmente utilizada |
| Bandeira tarifária | Sinalização mensal do custo de geração de energia no país | Pode aumentar a fatura sem que o consumo mude |
A demanda contratada pesa porque é cobrada mesmo que o posto não utilize toda a potência reservada, funcionando como um custo fixo mensal independente do volume de combustível vendido. Equipamentos como bombas de combustível, compressores de ar para calibragem de pneus e sistemas de refrigeração da loja de conveniência costumam exigir picos de potência elevados, o que empurra a demanda contratada para cima.
Quando o consumo real ultrapassa a demanda contratada, a distribuidora costuma aplicar uma tarifa de ultrapassagem, geralmente mais alta que a tarifa normal de demanda. Por isso, acompanhar o histórico de picos do posto, e não só a média mensal de consumo, é o que permite contratar uma demanda mais próxima da realidade operacional, sem pagar por excedente nem correr o risco de ultrapassagens frequentes.
Trocar lâmpadas incandescentes ou fluorescentes por LED reduz o consumo de energia com iluminação e prolonga a vida útil dos equipamentos, diminuindo também os custos de manutenção. Como o LED gera menos calor que as lâmpadas convencionais, essa troca também reduz indiretamente a carga sobre o sistema de refrigeração de ambientes fechados, como a loja de conveniência.
Em áreas de menor circulação, como escritórios, depósitos e banheiros, sensores de presença garantem que luzes e equipamentos fiquem ligados só quando necessário, evitando desperdício.
Bombas de combustível, compressores de ar e sistemas de refrigeração mal conservados consomem mais energia do que deveriam e podem, inclusive, elevar picos de demanda sem justificativa operacional. Um cronograma de manutenção preventivo ajuda a manter o consumo alinhado ao que o equipamento realmente precisa.
Produtos com o Selo Procel, do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica, presente em motores elétricos, bombas e motobombas, entre outros equipamentos usados em um posto, passam por testes de eficiência conduzidos pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e consomem menos energia para realizar a mesma tarefa, reduzindo o gasto a longo prazo.
Instalar um sistema de geração própria de energia solar reduz a dependência da rede elétrica e pode diminuir o valor pago mensalmente, funcionando como uma camada adicional de eficiência ao lado das medidas anteriores. Antes de decidir pelo modelo mais adequado, vale entender a diferença entre geração distribuída e autoconsumo remoto, já que cada um se encaixa melhor em um tipo de estrutura de posto.
Depois de aplicar as medidas de eficiência, o próximo ganho de escala costuma vir de como a energia é contratada, não apenas de como ela é consumida. Desde 2024, todos os consumidores conectados em média ou alta tensão podem migrar para esse ambiente, independentemente do valor da conta.
Esse ambiente é o Mercado Livre de Energia, onde a empresa negocia diretamente as condições de fornecimento em vez de depender só da tarifa regulada da distribuidora local. Para um posto de gasolina que já reduziu o desperdício com as práticas acima, entender essa alternativa é o passo seguinte para transformar eficiência operacional em previsibilidade de custo no longo prazo.
Apoiada em mais de 20 anos de atuação da EDP no Brasil, a Soluções EDP atua na comercialização de energia no Mercado Livre. Para visualizar como essa migração pode se traduzir em economia real para o seu posto, use o simulador de economia e projete cenários com base no perfil de consumo do seu negócio.
Não. Estar no Grupo A torna o posto elegível, mas a migração exige uma decisão ativa: contratar uma comercializadora ou se associar diretamente à CCEE, dependendo do modelo escolhido, e formalizar a saída do contrato com a distribuidora atual.
Pode ajudar a reduzir picos de potência, mas o redimensionamento da demanda contratada exige uma análise específica do perfil de consumo do posto, geralmente feita junto à distribuidora ou a um especialista.
Em muitos casos sim. Postos enquadrados em tarifas horosazonais pagam valores diferentes por kWh dependendo do horário, geralmente mais baixos fora do horário de ponta. Deslocar o uso de compressores e outros equipamentos de maior consumo para fora desse horário, quando a operação permitir, pode gerar economia sem exigir troca de equipamento.
Um bom indício é comparar, na fatura, a demanda contratada com a demanda medida nos meses de maior movimento. Se mesmo nos picos de operação o posto fica bem abaixo do valor contratado, pode haver espaço para reduzir esse contrato junto à distribuidora, desde que a mudança seja avaliada com cuidado para não gerar ultrapassagens em períodos de pico futuro.
Sim. Reduzir o desperdício primeiro ajuda a dimensionar com mais precisão o contrato de energia no Mercado Livre, evitando pagar por uma capacidade maior do que a realmente necessária.
Verena Greco é Gerente Operacional na EDP Brasil. Ela é graduada em Engenharia de Energia pela PUC Minas e em Engenharia de Energia Renovável pela Hochschule Schmalkalden – University of Applied Sciences e tem MBA em Gestão de Negócios pelo Ibmec. Verena Greco escreve sobre Energia Solar.
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