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A eficiência energética em shopping centers não se resume à troca de lâmpadas ou ao desligamento de equipamentos em horários de menor movimento. Em um empreendimento comercial de grande circulação, a conta de energia reflete decisões de climatização, iluminação, operação de lojistas, praças de alimentação, elevadores, escadas rolantes e contratos.
Para gestores de Operações, Facilities e Administrativo-Financeiro, o desafio é equilibrar conforto, segurança, experiência do público e controle de custos. Isso exige leitura de consumo, revisão de faturas, acompanhamento de demanda e avaliação das condições de contratação de energia.
Quando esse trabalho é feito com rotina, o shopping passa a identificar desvios antes que eles se repitam por vários meses. A energia deixa de ser apenas uma despesa operacional e passa a ser acompanhada como indicador de rentabilidade.
Shopping centers têm consumo alto porque operam por muitas horas, com cargas simultâneas e perfis de uso diferentes. O mall, as lojas, as áreas técnicas, os estacionamentos e as praças de alimentação não consomem energia da mesma forma.
Aquecimento, ventilação e ar-condicionado (HVAC) costumam estar entre os maiores pontos de atenção. A climatização precisa responder à área construída, à circulação de pessoas, à abertura de portas, à incidência solar em fachadas e à diferença entre dias úteis, fins de semana e datas comerciais.
Alguns ajustes podem ajudar na leitura do consumo:
Em shoppings, pequenas variações de controle podem ter impacto relevante no mês. Por isso, a decisão não deve ser baseada apenas em percepção de conforto. O ideal é usar medições e histórico de operação.
A iluminação de corredores, vitrines, fachadas, estacionamentos e áreas técnicas funciona por muitas horas. Em alguns pontos, o consumo é necessário por segurança e circulação. Em outros, pode haver excesso por programação inadequada, ausência de sensores ou falta de setorização.
A gestão deve separar iluminação por ambiente. Um estacionamento coberto não tem o mesmo perfil de uso de uma fachada externa, e uma área técnica não precisa seguir a mesma lógica de vitrines e corredores de circulação.
Praças de alimentação concentram equipamentos de refrigeração, cocção, exaustão, iluminação e ar-condicionado. Além disso, restaurantes e operações de fast-food podem ter horários diferentes do restante do shopping.
Também é comum que lojas âncora, cinemas, academias e mercados tenham curvas próprias de consumo. A administração do shopping precisa entender esses perfis para avaliar demanda, rateio, medição individualizada e impacto no custo global do empreendimento.
A troca de equipamentos pode reduzir consumo, mas ela deve vir depois de uma leitura técnica da operação. Sem diagnóstico, o shopping corre o risco de investir em uma frente que não ataca o principal fator de custo.
Uma rotina de análise pode incluir:
Essa leitura ajuda a diferenciar aumento de consumo por maior movimento comercial de desperdício por falha operacional. Um mês com fluxo maior pode ter custo maior e, ainda assim, apresentar bom desempenho por visitante. Já um mês com fluxo menor e conta estável pode indicar consumo ocioso.
A energia interfere no resultado do shopping porque afeta condomínio, custos comuns e margem da operação. Quando a conta cresce sem planejamento, o empreendimento pode precisar rever rateios, contratos com lojistas ou orçamento de manutenção.
A eficiência energética também melhora a qualidade da discussão entre áreas. Operações passa a falar a partir de dados de carga e horários. Facilities consegue priorizar manutenção e automação. Financeiro avalia o impacto da fatura no orçamento mensal e anual.
Esse alinhamento permite decisões mais consistentes, como:
A gestão energética, nesse caso, não depende de uma única ação. Ela combina controle operacional e revisão comercial do fornecimento.
Para shopping centers atendidos em média ou alta tensão, Grupo A, a migração para o Mercado Livre de Energia pode ser analisada como parte da estratégia de redução de custos e previsibilidade.
No Ambiente de Contratação Regulada (ACR), a energia é contratada no mercado cativo, com tarifas reguladas e cobrança feita pela distribuidora local. No Ambiente de Contratação Livre (ACL), empresas elegíveis podem negociar energia, prazos e condições com comercializadoras, seguindo regras da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
Enquanto no ACR o consumidor paga tarifas fixadas pela distribuidora local e fica exposto às variações das bandeiras tarifárias definidas pela ANEEL, no ACL a energia contratada segue as condições negociadas. As cobranças relacionadas ao uso da rede continuam existindo e seguem a regulação aplicável.
Nem todo shopping quer montar uma estrutura interna para lidar com todas as etapas regulatórias do ACL. Nesse caso, o Mercado Livre Varejista pode simplificar a rotina.
Na comercialização varejista, a Soluções EDP representa a empresa junto à CCEE e conduz etapas operacionais ligadas à contabilização, aos dados de consumo e às exigências do mercado. Isso permite que o gestor concentre a análise na operação do shopping, no orçamento e nos indicadores de energia.
Essa estrutura pode ser útil para centros comerciais que precisam de previsibilidade, mas não querem ampliar equipe interna para acompanhar a burocracia do mercado de energia. Ainda assim, a decisão deve partir de uma análise do histórico de consumo, demanda, contratos vigentes e perfil operacional do empreendimento.
Depois da migração, a gestão no Mercado Livre de Energia continua relevante. O shopping precisa acompanhar consumo, volumes contratados, sazonalidade, faturas e indicadores para manter o contrato alinhado à operação.
Antes de decidir pela migração, o shopping deve reunir áreas técnicas e financeiras. A análise precisa mostrar se o perfil de consumo é compatível com o modelo e quais pontos do contrato atual merecem revisão.
O levantamento pode considerar:
Com esses dados, a administração consegue comparar o custo atual com alternativas de contratação. O simulador de economia pode apoiar essa etapa inicial, usando informações da fatura para estimar oportunidades no Mercado Livre de Energia.
Eficiência energética em shopping centers pede disciplina de acompanhamento. Climatização, iluminação, praças de alimentação, lojistas e áreas comuns precisam ser lidos em conjunto com fatura, demanda e contratos.
O Mercado Livre de Energia não substitui a gestão operacional, mas pode ampliar o controle comercial da energia para shoppings elegíveis. Quando a administração combina ajustes de consumo, manutenção, medição e revisão contratual, a energia passa a ser tratada como parte da rentabilidade do empreendimento.
A decisão deve ser feita com dados reais, análise da fatura e avaliação do perfil de consumo. É assim que o shopping consegue reduzir desperdícios, planejar custos e dar mais previsibilidade ao orçamento.
É a gestão do consumo de energia para manter a operação do shopping com menor desperdício, considerando climatização, iluminação, áreas comuns, lojistas, praça de alimentação, demanda e contratos.
As áreas de maior atenção costumam ser climatização, iluminação de áreas comuns, fachadas, estacionamentos, praças de alimentação, escadas rolantes, elevadores e operações de grande porte, como cinemas e lojas âncora.
Pode ser avaliado por shopping centers do Grupo A, atendidos em média ou alta tensão. A decisão depende de histórico de consumo, demanda, contrato atual e elegibilidade.
Não. A distribuidora local continua responsável pela rede de distribuição e cobra os componentes regulados ligados ao uso da infraestrutura. A mudança ocorre na contratação da energia.
Consumo em kWh, demanda em kW, subgrupo tarifário, faturas dos últimos 12 meses, sazonalidade, datas comerciais, contrato atual e projeções de expansão do shopping.
Tomás Baldaque da Silva é Vice-presidente da EDP e membro do time de gestão da EDP South America, com carreira em estratégia, vendas e marketing B2B e B2C nos setores de energia e serviços. É graduado em Economia e tem MBA pela IE Business School, além de formação executiva em liderança (IMD). Atua conectando visão de mercado, posicionamento e crescimento de negócios em diferentes geografias. Tomás escreve sobre liberalização do mercado, estratégia setorial e a evolução do Mercado Livre de Energia no Brasil.
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