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Sex. 18 de setembro de 2026

ENERGIAS RENOVÁVEIS
Data de publicação: 13/11/2024

A busca pela descarbonização estrutural impulsiona o desenvolvimento de matrizes limpas e independentes de combustíveis fósseis. Entre as inovações que ganham espaço na engenharia global, destaca-se o uso do oceano como força motriz. A energia das marés , ou maremotriz, converte o movimento das águas marítimas em eletricidade, oferecendo um grau de previsibilidade que poucas fontes alternativas conseguem entregar.

Compreender o funcionamento dessa matriz, seus custos de implantação e seu impacto estrutural ajuda as indústrias e consumidores a avaliarem as tecnologias que alimentarão o sistema elétrico nos próximos anos, preparando a tesouraria para investimentos mais seguros e sustentáveis.

O que é a energia das marés (maremotriz)?

A energia das marés é a eletricidade gerada pelo aproveitamento do movimento natural de subida e descida do nível dos oceanos, impulsionado pela força gravitacional exercida pela Lua e pelo Sol.

Para as corporações que buscam investir em descarbonização, entender o que é energia renovável passa pelo acompanhamento dessas novas tecnologias. A geração maremotriz não emite gases poluentes e, conforme ganhar escala comercial global, poderá compor a cesta de suprimentos daqueles que adquirem energia no Mercado Livre de Energia .

Como funciona a geração de energia maremotriz?

A geração ocorre através do represamento da água do mar em diques. A diferença de pressão criada pelo desnível da maré movimenta grandes turbinas submersas, que acionam os geradores elétricos da instalação.

O processo básico acompanha o fluxo natural oceânico: na maré alta, a água entra e preenche os reservatórios da usina. Na maré baixa, as comportas são abertas e a água armazenada retorna ao mar. Em ambos os sentidos, a passagem de água pelas comportas rotaciona as pás do sistema, injetando potência ativa na rede de transmissão.

Quais tecnologias são utilizadas nessa captação?

O mercado global divide a geração oceânica em três frentes principais de engenharia, dependendo da geografia costeira local:

  • Barragens ( Tidal Barrages ): Estruturas civis pesadas que fecham baías ou estuários, similares às usinas hidrelétricas convencionais.

  • Turbinas submersas ( Tidal Stream Generators ): Funcionam como grandes aerogeradores debaixo d'água, aproveitando o fluxo contínuo das correntes oceânicas sem a necessidade de represar água.

  • Lagoas de maré ( Tidal Lagoons ): Piscinas artificiais com paredes de contenção no mar. Enchem e esvaziam com o ciclo das marés, gerando energia com menor impacto visual.

Quais as vantagens e os desafios dessa fonte?

A tecnologia maremotriz oferece ganhos ambientais consistentes, mas a sua expansão em larga escala esbarra no alto volume de capital necessário para a construção.

Vantagens: A principal força é a previsibilidade matemática, já que o ciclo lunar é exato. Além disso, a água é 832 vezes mais densa que o ar, gerando alta potência mesmo em correntes lentas.

Desafios: O custo de implantação ( Capex ) é elevado, exigindo equipamentos resistentes à salinidade extrema e à alta pressão. Atualmente, o mercado prioriza outras fontes alternativas , como os parques solares e eólicos, que possuem engenharia de instalação muito mais ágil e barata.

O potencial regional: a força das marés no Nordeste e Norte do Brasil

Para que o Brasil explore a energia maremotriz de forma viável, é necessário olhar para regiões específicas do litoral Norte e Nordeste, onde a amplitude das marés atinge níveis de destaque global. No estuário do Rio Bacanga, no Maranhão, e na foz do Rio Amazonas, no Pará, a variação do nível do mar pode superar os 7 e 8 metros de altura, respectivamente.

O foco histórico de pesquisa e os primeiros experimentos aplicados em campo no país concentram-se no Ceará, com o projeto piloto da Usina de Ondas do Porto do Pecém. Embora as pesquisas acadêmicas comprovem a abundância do recurso na costa norte-nordeste, a transição de testes experimentais para a escala comercial esbarra em complexidades de licenciamento costeiro e nos elevados investimentos em infraestrutura portuária e redes de transmissão marítima.

Como novas fontes entram na matriz elétrica nacional?

Novas fontes de geração ingressam na matriz energética brasileira após rigorosas etapas de pesquisa, construção de plantas-piloto e comprovação de viabilidade econômica. Esse processo gradual perante os órgãos reguladores garante a expansão e a segurança do fornecimento nacional.

Somente após atestar a maturidade da tecnologia e a capacidade de injeção contínua na rede de transmissão, o Sistema Interligado Nacional (SIN) absorve essas inovações, convertendo projetos promissores em usinas de escala comercial prontas para abastecer o país.

Qual o benefício da diversificação para o consumidor corporativo?

O maior benefício é a mitigação de riscos associados a períodos de baixa afluência e a maior estabilidade nos preços tarifários. Para as fábricas, essa diversificação da matriz fortalece a oferta de lastro e reduz a volatilidade no mercado atacadista.
Ao combinar as tradicionais hidrelétricas com a geração a partir de sol, vento, biomassa e projetos marítimos futuros, o sistema freia a oscilação do megawatt-hora (MWh). Essa estabilidade macroeconômica permite que grandes consumidores assinem contratos seguros, garantindo a previsibilidade orçamentária e a blindagem do fluxo de caixa no planejamento financeiro.

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Perguntas frequentes sobre a energia das marés

O que é a energia maremotriz?

É a eletricidade gerada pelo aproveitamento do desnível das marés oceânicas. A tecnologia utiliza barragens e hélices submersas para transformar a força mecânica e a diferença de pressão da água em energia limpa.

Qual a diferença entre a energia das marés e das ondas?

A energia maremotriz aproveita a variação do nível do mar provocada pela força gravitacional da Lua. Já a energia ondomotriz (das ondas) capta a força mecânica gerada pelo atrito dos ventos na superfície do oceano.

Como a diversificação de fontes beneficia o consumidor industrial?

Uma matriz ampla expande a oferta de energia e ampara o mercado atacadista. Essa diversidade permite que indústrias comprem energia limpa certificada de diferentes fontes renováveis, garantindo preços mais competitivos e previsibilidade contábil.

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