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O efeito estufa é frequentemente tratado como sinônimo de problema ambiental, mas é, na origem, um fenômeno natural essencial à habitabilidade do planeta. O que preocupa cientistas e reguladores não é o fenômeno em si, e sim sua intensificação acelerada pela atividade humana nas últimas décadas.
Para uma empresa que reporta metas de ESG, entender essa distinção tecnicamente é o primeiro passo para tratar emissões como um indicador mensurável, não como um conceito abstrato de sustentabilidade.
O efeito estufa ocorre quando parte do calor emitido pelo sol, absorvido pelos oceanos e pela superfície terrestre, é retido por gases presentes na troposfera antes de escapar de volta ao espaço. Esse processo mantém a temperatura média global em torno de 15°C; sem ele, a temperatura seria negativa, inviabilizando a presença de água líquida e a vida como a conhecemos.
O fenômeno existe há bilhões de anos e é o que permitiu o surgimento e a manutenção da vida na Terra em condições estáveis. O que mudou nas últimas décadas não foi a existência do efeito estufa, mas a velocidade e a intensidade com que ele vem sendo amplificado.
O problema não é o efeito estufa em si, mas o aumento da concentração de gases que o intensificam. Os principais são:
A concentração de CO₂ na atmosfera, que se manteve historicamente entre 200 e 300 ppm (partes por milhão) por centenas de milhares de anos, já ultrapassou 430 ppm em 2025, segundo dados da Agência Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). Esse é o nível mais alto já registrado desde que esse tipo de medição começou a ser feito de forma sistemática.
Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), órgão ligado à ONU, 2025 registrou aquecimento global de 1,44°C acima da média pré-industrial (1850–1900), atrás apenas de 2024 (1,55°C) e 2023 (1,45°C). Os anos entre 2015 e 2025 concentram os onze mais quentes já registrados, um padrão que cientistas do observatório Copernicus já descrevem como uma aceleração clara da tendência de aquecimento.
Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a intensificação do efeito estufa já produz consequências mensuráveis:
Um relatório do Banco Mundial projeta 216 milhões de pessoas deslocadas internamente até 2050 por eventos climáticos, sendo 17 milhões só na América Latina. Esse tipo de projeção já entra em modelos de risco de cadeias de fornecimento de grandes empresas, especialmente as que dependem de matéria-prima agrícola ou de regiões costeiras vulneráveis.
Para efeitos de relatório corporativo, as emissões associadas à energia consumida por uma empresa entram na categoria de Escopo 2 do GHG Protocol, emissões indiretas geradas pela eletricidade comprada, não pela queima direta de combustível pela empresa. A origem dessa energia, renovável ou não, é um dos indicadores mais diretos e auditáveis que uma empresa pode reportar para metas de descarbonização.
Diferente das emissões de Escopo 1 (diretas, da própria operação) e Escopo 3 (indiretas, de toda a cadeia de valor), o Escopo 2 costuma ser o mais fácil de reduzir de forma mensurável em curto e médio prazo, já que depende principalmente de uma decisão de contratação, não de uma reengenharia completa de processos produtivos.
Reduzir a intensificação do efeito estufa depende, em grande parte, da transição de fontes fósseis para fontes renováveis na geração de energia. Para uma empresa, essa transição não se resume a decidir gerar energia própria: envolve também revisar a origem e a forma de contratação da energia que continua sendo comprada da rede.
No Mercado Livre de Energia, a empresa negocia diretamente a origem renovável da energia contratada com uma comercializadora. Para operações de grande porte, o modelo Atacadista costuma se aplicar diretamente, com negociação junto à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
Empresas de porte médio, por outro lado, tendem a encontrar no modelo Varejista uma estrutura mais simples de gestão, com a comercializadora assumindo boa parte da burocracia regulatória do processo. Em ambos os casos, o resultado é o mesmo: um indicador de Escopo 2 comprovável por contrato, não apenas por declaração de intenção.
O efeito estufa sustenta a vida no planeta; sua intensificação pela atividade humana é o que exige ação coordenada entre governos, empresas e indivíduos. Para uma empresa, essa ação se traduz em decisões concretas e mensuráveis: origem da energia contratada, eficiência operacional e comprovação auditável de metas de descarbonização.
A Soluções EDP atua na comercialização de energia no Mercado Livre, apoiada em mais de 20 anos de operação no Brasil. Use o simulador de economia para avaliar como a origem da energia contratada pode se somar às metas de descarbonização da sua empresa.
Não. É um fenômeno natural essencial à vida no planeta. O problema é sua intensificação pelo aumento da concentração de gases de efeito estufa causado pela atividade humana.
O dióxido de carbono (CO₂), gerado principalmente pela queima de combustíveis fósseis na geração de eletricidade, transporte e indústria.
Como Escopo 2 do GHG Protocol, categoria de emissões indiretas associadas à eletricidade comprada, um indicador auditável e diretamente ligado à origem da energia contratada.
Pode reduzir, quando a empresa negocia especificamente a origem renovável da energia contratada como parte das condições comerciais junto à comercializadora.
Porque depende principalmente de uma decisão de contratação de energia, mais rápida de implementar do que mudanças estruturais na cadeia de fornecimento (Escopo 3) ou nos processos produtivos diretos (Escopo 1).
Fernando Mussnich é Gerente Executivo de Comercialização de Energia e Originação de Negócios da EDP Brasil. Conta com 20 anos de experiência no mercado de energia atuando a frente de áreas comerciais, trading e originação de negócios com produtos energéticos e produtos financeiros. Formado pela Universidade Paulista (Unip), tem MBA em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e MBA Executivo em Administração e Negócios pelo Insper. Fernando Mussnich escreverá sobre Mercado Livre.
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